The Warm Coffee

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Portal (PC, Xbox 360, PS3)

Posted by César Costa em 22/02/2010

The box art for the PC version of Portal.Género: Puzzle/FPS

Editora: Valve Corporation

Distribuidora: Valve Corporation

Plataforma: PC, Xbox 360, PS3

Data de Lançamento: 18 de Outubro de 2007; 14 de Dezembro de 2007 (PS3)

Portal é um dos cinco jogos que faz parte da colectânea The Orange Box, que engloba Half-Life 2, e a sua expansão Episode One, e introduz como novos títulos Episode Two, Portal e Team Fortress 2.

Apesar de ser um jogo completamente novo e desconhecido à partida, é fácil de classificá-lo como o melhor da colecção.

O jogador controla Chell, uma rapariga. Acorda numa sala iluminada, com o som de uma voz computorizada, indicando-a que está num teste da Aperture Science. Tão simples como isto. Logo de início, quando a mulherzinha do PC anuncia que vai abrir um portal na porta à nossa frente, vemo-nos a nós próprios a sair da porta.

O início do jogo é confuso, mas a Valve encarregou-se de dar as informações necessárias durante o decorrer do jogo. E a forma como o faz é simplesmente genial. A voz é GLaDOS, um computador que parece ter uma personalidade própria, e a unica… coisa, em que podemos confiar para sairmos daquele lugar. No geral, a voz de GLaDOS e as suas tiradas de humor negro, a escassez de informações, e a natureza fria dos cenário, fazem o ambiente, no mínimo, sinistro.

Nos primeiros níveis apercebemo-nos de como estamos dependentes desta voz, que sempre nos guia e diz o que devemos fazer. Mas lentamente GLaDOS vai-se revelando, uma personagem, e o jogador apercebe-se de que o jogo é simplesmente isto: resolver puzzles enquanto uma voz intervém de vez em quando para dizer umas piadas macabras.

https://i2.wp.com/delicategeniusblog.com/wp-content/uploads/2007/11/portal.pngA mecânica da jogabilidade é muito pouco complexa, e apenas consiste em, através de portais, passar por diversos desafios, que podem envolver, cubos e botões, bolas de energia, e uma boa dose de QI. O encanto do jogo, não é só GLaDOS, ou o Weighted Companion Cube, um cubo que nos acompanha durante um dos desafios e que GLaDOS nos obriga a assassinar depois de completo o desafio. A piada do jogo começa logo que o jogador se apercebe de que está perante um viciante jogo de puzzles. GLaDOS claramente diz que Chell está num teste, e temos essa mesma impressão quando resolvemos os puzzles. A voz até testa a nossa capacidade de “permanecer racional num ambiente de extremo pessimismo”, ao anunciar antes de um teste que o mesmo é impossível. Claro que esta indicação apenas leva o jogador a querer resolve-lo… A imagem que aqui vemos mostra uma das câmaras de desafio que começa a introduzir puzzles mais elaborados. Note-se a janela à esquerda. Estas janelas não só dão iluminação às câmaras dos desafios, como também dão ao jogador a sensação constante de que está a ser observado, apesar de quando este olha para lá, ela aparenta estar vazia.

Com uma Portal Gun na mão, a arma que temos que cria os portais, é a nossa única ferramenta durante todo o jogo. A Portal Gun, e o cenário, claro. A certa parte do jogo, damos conta que um portal influencia o outro. Podemos cair para um portal para depois sairmos disparados no outro. Isto é muito útil, crucial em partes finais do jogo. É uma habilidade que a Valve apelidou de Flinging. E os modo de jogo que inclui os comentários dos produtores confirma-o. A Valve prevê cada movimento do jogador, e sentimos que estamos a jogar um jogo feito por verdadeiros profissionais.

http://themcp.files.wordpress.com/2008/01/weighted-companion-cube.pngA Valve controla o jogador, literalmente. Um flagrante exemplo disso é o Weighted Companion Cube, o famoso cubo que nos ajuda num dos testes. A Valve parece fazer tudo para termos pena do cubo. Introduz um coração fofo no design, e pôe GLaDOS, com a sua frieza,a mandar-nos eliminar o cubo, queimando-o.

A partir de certa altura, a GLaDOS começa a revelar o seu lado mais obscuro, e cada vez mais o jogador vai-se apercebendo que o vilão do jogo é o mesmo que o conduz pelos desafios. O computador promete “bolo” no final do jogo, mas através de alguma deixas de GLaDOS, o jogador vai ficando com a sensação de que o “bolo” é uma farsa, como aliás, no último desafio está escrito nas paredes, por todo o lado. GLaDOS até dá no fim informações sobre Chell, mas estas são claramente questionáveis, a partir do momento que esta admite, a certa parte do jogo, mentir ao jogador.

Bastante interessante a forma como GLaDOS “muda” de personalidade ao longo do jogo, e é muito fácil de considerá-la uma das mais sinistras personagens da história dos videojogos. O último nível cheira a esturro, e o ambiente torna-se estranho. As coisas ficam muito interessantes, e ficam muito mais claras a cada segundo que passa, onde o jogador começa a tirar as conclusões sobre o que se passa.

A batalha final é simplesmente doentia, e mostra finalmente GLaDOS em carne e osso. “Carne e osso” pode não ser o termo mais correcto, mas quem jogar, perceberá.

A banda sonora é muito bem feita, e vai evoluindo consoante o jogo. No início é uma musica ambient relaxante, que nos desafios finais se transforma numa mistura electro de sons estranhos, mas sempre coordenados com o jogo, e sempre agradáveis de ouvir. Graficamente, utilizando o motor Source, como aliás, todos os jogos em Orange Box, o jogo apresenta cenários algo simplísticos, mas muito bonitos, sempre com certos detalhes que fazem o jogador olhar inadvertidamente para onde a Valve quer que ele olhe.https://i1.wp.com/g-ecx.images-amazon.com/images/G/01/videogames/detail-page/portal_2_lg.jpg

Se há falhas neste jogo, apenas se pode apontar uma: a duração. No entanto, um jogo que é completamente novo, e que no fundo é lançado com um extra numa colectânea, não se pedia muito longo. E a experiência fica muito mais memorável sendo curta. Ela é intensa, e pode ser jogada numa tarde. “Qualidade sobre quantidade” é o lema de Portal.

No fim do jogo, recebemos mais ou menos as repostas às perguntas, e saímos do jogo com um sorriso na cara, por termos jogado um jogo magnífico. Sim, Portal é magnífico, e não é só uma experiência memorável, como é um dos jogos mais originais de sempre. E é super-divertido. Aconselho vivamente a todos os que gostam de videojogos experimentarem esta obra-prima da Valve. Valerá tanto a pena o pouco tempo perdido, que no final será tido como tempo ganho.

‘Goodbye’

5.0

 

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Half-Life (PC)

Posted by César Costa em 21/09/2008

Género: FPS

Editora: Valve Software

Distribuidora: Sierra Studios; Electronic Arts; Valve Software

Plataformas: PC, Dreamcast,PlayStation 2

Data de lançamento: 19 de Novembro de 1998 (PC); 15 de Novembro de 2001 (PS2)

Não é preciso meia vida para acabar este jogo. Mas também não se pode dizer que seja pequeno. Half-Life destaca-se dos outros jogos por ser um jogo de longevidade impressionante, tendo em conta a altura em que foi lançado.

Mas avancemos. Half-Life é definitivamente um grande jogo. Aliás, logo nos primeiros minutos de jogo percebemos isso mesmo: os gráficos impoêm-se, havendo poucos jogos de igual detalhe naquela altura, e o enredo, embora simples, é interessante. Um erro numa experiência de teletransporte resultou numa catástrofe, sendo evidentes as inspirações em títulos como Doom, ou Resident Evil. Subitamente, Dr. Gordon Freeman (o homem que controlamos), um físico não muito experiente, vê-se num mundo que lhe é completamente alheio, rodeado por creaturas estranhas, mas instantes depois volta ao “mundo real”. Quando regressa, Gordon depara-se com um rasto de destruição, monstros por tudo quanto é sítio, e algumas mortes contadas.

Digno de nota é o facto de Gordon ter realmente mais vocação para andar aos tiros do que propriamente para aplicar os seus conhecimentos de física da teoria. Mas nada que nos tire a concentração da acção. Digo ainda que concentração é uma das coisas que não podem faltar neste jogo, pois os rapazes da Valve deram-se ao trabalho de arranjar esquemas para pôr a nossa carola a funcionar. Sim, este não é um FPS puro, pois mistura elementos de acção na primeira pessoa com puzzles que podem dar que fazer ao nosso cérebro. Mesmo assim, e sem deixarmos de dormir por causa disso, estes puzzles ajudam em muito no aumento da longevidade, e talvez seja esse um dos truques para o jogo ser tão grande. É verdade, mesmo comparando com jogos de hoje, este clássico que conta já 10 primaveras consegue impressionar pela sua fantástica duração!

Mas como tudo na vida, há sempre um ‘mas’. Esta grande longevidade pode ser um ponto negativo quando conjugada com outra característica que HL tem: ser muito repetitivo. Eu arriscaria mesmo a dizer que o jogo tende a ser, em certa altura do jogo, muito previsível e aborrecido. Os cenários raramente mudam de ambiente, e aquilo que vemos acaba por ser sempre o mesmo: máquinas, zombies, mais máquinas e mais zombies. A paleta de cores é tão limitada que por vezes até dá vontade de vomitar… Mas nada de muito grave (e ainda bem…). O único escape digno de nota é a magnifica secção da barragem (que está na imagem acima), que oferece um momento único de acção flúida.

A jogabilidade. Ela está boa, de aprendizagem instantãnea, e aqueles fãs de CS que ainda nao tiveram a oportunidade de jogar este clássico e que o façam daqui para a frente, sentir-se-ão em casa. O motor de jogo foi importado para CS e por essa razão mesmo as semelhanças a nivel visual são evidentes. O único aspecto negativo é a movimentação brusca de Freeman em certas situação nas quais é necessária bastante cautela (em secções de plataformas por exemplo), causando alguma frustração.

Em termos de som, pouco a dizer. Para além do som das armas, que nalguns casos poderia estar bem mais realista, mas nada se ouve durante a aventura. Para alguns isso pode gerar um clima de tensão, bem realista; para outros pode criar um clima de aborrecimento. Isto pode ser explicado pelo facto deste ser um jogo de extremos: temos alturas de acção desenfreada, dignas de ‘blockbusters’ de acção, e temos também alturas em que não se ouve, nem vê, viva alma. O bom disto é que estas alturas servem de separadores, de modo a descontrairmo-nos (ás vezes até de mais…) da acção principal. Nada mal pensado…

Não esperem ver-se livres de Half-Life em 2 ou 3 dias. Este é um jogo para durar semanas, o que pode entediar alguns e satisfazer outros, pois há sempre alguém que procura desesperadamente algo para queimar o seu tempo livre. E digamos que queimar esse tempo a jogar Half-Life não é má ideia, pois é um jogo que ninguém que se diga fã de videojogos pode perder. Um acrescento ao jogo (MAIS?!…), e que pode agradar aos fãs de jogos em conjunto, é o crónico modo online. A mecãnica é semelhante a aquela que estamos habituados em Counter-Strike, por isso nao vai ser o online que vos vai manter agarrados a HL, embora tenhamos de nos recordar que CS veio depois de HL e por isso, as partidas online seriam muito provavelmente uma constante entre os jogadores ate ao lançamento de CS.

Pessoalmente, recomendo vivamente Half-Life, nao só por ser um excelente título, mas também porque depois disso terão uma vontade enorme de jogar Half-Life 2, uma obra-prima de qualidade superior.

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