The Warm Coffee

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“A New Morning”, Suede [2002]

Posted by César Costa em 20/08/2010

https://i0.wp.com/991.com/newgallery/Suede-A-New-Morning-277030.jpgData de lançamento: 30 de Setembro de 2002

Género: BritPop

Duração: 57 min.

Gravadora: Columbia

Produtores: Stephen Street, John Leckie, Dave Eringa

O interesse nos Suede já era pouco, na sequência de um álbum algo mal recebido por fâs e crítica. Mas ao menos, desta vez, Brett estava limpo. As drogas já eram, e por isso, este álbum é muito menos freaky que qualquer outro trabalho dos Suede. Para o bem, e para o mal…

Este disco é mais “atinadinho”. Não há faixas de rock malucas, nem canções sobre drogas, mas sim sobre o dia-a-dia, e a vida. Fazendo uma comparação, se antes os Suede tinham um cheirinho a David Bowie, agora parecem-se mais com os Pólo Norte. Não que isso seja uma coisa má! Apenas é uma grande mudança, demasiado grande para alguns…

Não há quase nada neste álbum que supere o que já foi feito, mas existem faixas de destaque. “Positivity”, o primeiro single do álbum, “Obsessions”, uma espécie de remake de “Trash”, com um refrão muito bom; “Astrogirl”, uma faixa guiada pelo mellotron de Alex Lee (o membro da banda que substituiu Neil Codling por razões de saúde) que constitui um dos melhores momentos de A New Morning; “Lost In TV” uma balada acústica bastante boa; “When The Rain Falls”, outra balada a fechar o disco, e da melhor maneira possível; e por fim a faixa bónus, “You Belong To Me” que dá um último suspiro ao disco.

De uma forma geral, o álbum é mais sólido que Head Music, no entanto, tem uma ou duas faixas que facilmente se dispensariam. “Lonely Girls” é aborrecida e “Streetlife” também não é grande coisa… Mas no final, é um álbum que é bem desfrutável, apesar de ser um pouco murcho em relação a outros trabalhos, mesmo em comparação a Head Music. É um estilo diferente, mais acolhedor e menos arrojado.

“One Hit To The Body” é uma faixa pop rock que também tem o seu brilho, “Beautiful Loser” é mais uma prova de que Richard Oakes é um grande guitarrista e “Untitled”, mais uma balada estilo “When The Rain Falls” também tem a sua piada. Já a última faixa escondida, “Oceans” é apenas mediana…

Sucintamente, o álbum é melhor que Head Music, pois há uma atmosfera e um som comum a todas as faixas, uma ligação que não se via em Head Music. Tem os seus grande momentos mas existem também aqui alguns menos bons que muitos ouvintes não hesitarão em passar à frente. O álbum em si é um bom trabalho, mas é fácil de perceber porque velhos fãs de Suede não gostaram muito deste “A New Morning” já que é uma mudança de som radical. É um disco para ouvir de manhã ao acordar, ou numa altura mais calma. Aconselho a fãs mais recentes dos Suede e a quem gostar de música rock mais soft.

1 . Positivity
2 . Obsessions
3 . Lonely Girls
4 . Lost In T.V.
5 . Beautiful Loser
6 . Streetlife
7 . Astrogirl
8 . Untitled… Morning
9 . One Hit to the Body
10 . When the Rain Falls
11 . You Belong to Me
12 . Oceans (faixa escondida)

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“Head Music”, Suede [1999]

Posted by César Costa em 14/08/2010

https://thewarmcoffee.files.wordpress.com/2010/08/headmusic.jpg?w=300Data de lançamento: 3 de Maio de 1999

Género: BritPop

Duração: 58 min.

Gravadora: Nude

Produtores: Steve Osborne, Bruce Lampcov

Head Music é um álbum interessante. Toda a gente tem uma opinião diferente sobre este álbum, embora haja um consenso que este não é o melhor dos trabalhos dos Suede. Os problemas de Brett com as drogas começavam a preocupar, e isso influenciava o processo de criação artística da banda. Por exemplo, as ideias de Richard Oakes eram muitas vezes deitadas fora em favorecimento das experiências electrónicas de Brett Anderson e Neil Codling, e isso criava barreiras dentro da banda.

Head Music é Coming Up com um toque electrónico. Neil Codling teve muito mais participação nas faixas neste álbum, e isso nota-se. Isso é bom quando se repara que várias das melhores músicas do disco tiveram a sua contribuição, mas quando olhamos para “Elephant Man” ficamos de pé atrás. Já lá irei.

De início, tudo parece mesmo “Suede”. O disco arranca com “Electricity”, um dos melhores singles já lançados pela banda, que singrou pelo seu som bem rockeiro, e com o refrão viciante e acessível. A letra ajuda: “Temos um amor entre nós e parece electricidade”. Bem pop. O problema (ou não) é que depois disso vem “Savoir Faire”. A primeira reacção deverá ser: “Que é esta m****?!”. Começando pela voz de Brett… Sempre foi nasal como tudo, mas aqui parece ter enchido a pança de hélio ou algo parecido… A música é bem simpática, mas a letra não acrescenta nada de novo aos Suede. Aliás, é mais do mesmo. “She shaking the scene outside and between”, “She shaking the scene like a fucking machine”… Brett adora dizer “shaking the scene, like…”. Já há muito tempo se tinha percebido isso, mas mais um disco inteiro a dizer isto… LOOOOOL Mas por incrível que pareça, quanto mais excêntrica e esquizofrénica a música fica, mais se gosta dela: o coro no refrão é de partir o côco a rir… Infelizmente, a impressão que fica depois da música é de que Brett enlouqueceu de vez.

Mas eis que se ouve algo muito bom. É “Can’t Get Enough”!! “Assim está bem!”. Do melhor que os Suede já fizeram, “Can’t Get Enough” é daquelas músicas que com certeza já muita gente ouviu mas não sabe de quem é. Aquele refrão cliché não podia ser mais óbvio: “singing iiiiii can’t get enough!”; a guitarra está linda, e o no geral está tudo nos trinques. “Everything Will Flow” é uma música mais lenta, que é orientada pelo “teclado disfarçado de violino” de Neil Codling. Se há alguma coisa a dizer sobre esta faixa é que é muito boa…

De seguida aparece mais um faixa pouco “Suedesca”. “Down” é uma espécie de balada electrónica, que apesar de se tornar incrivelmente repetitiva, é bastante agradável. “She’s In Fashion” é a música mais levezinha do catálogo dos Suede. Brett começa a falar de uma tipa qualquer que viu a passar na rua enquanto viajava de carro, com aquela vozinha característica. Ele tinha que falar em cigarros como sempre, mas tirando isso, é das melhores músicas de Head Music, onde o conjunto maracas-teclado-guitarra funciona muito bem.

“Asbestos” parece mesmo que foi escrita enquanto Brett fumava umas ganzas… Tem um som bem exótico, descontraído, e fala de “raparigas do subúrbios” que “fazem olhos aos rapazes dos subúrbios”… O que marca é o magnífico riff que percorre a faixa quase de princípio ao fim. Basta ouvir…

Onde o disco fica maluco é aqui. “Head Music” não é má, mas tem problemas. Brett Anderson parece bêbedo, apesar da sua boa performance, mas a letra ainda consegue ser pior. Parece falar de música, mas acho que ninguém conseguiu perceber do que fala exactamente. “Give me head/ give me head/ give me head/ music instead/ ooooh yes it’s all in the mind”. ??

Mas o cúmulo é atingido em “Elephant Man”, a faixa escrita na sua totalidade por Neil Codling. Começa incrivelmente bem! Aquela batida forte e desafiadora, a voz cool e confiante de Brett e o seu efeito “walkie talkie” prometem. Musicalmente é razoável, mas quando se atenta na letra… é uma mixórdia de cima abaixo. “I am i am the elephant man/ it is incredible how i can/ look just like just like an elephant man/just like just like my elephant man”… pah… arranja lá isso, Brett…

Quando Head Music já estava cá em baixo, “Hi-Fi” entra em cena, e é o descalabro… É simplesmente das piores coisas que já ouvi dos Suede, ao lado do b-side “Feel”. Que tortura… Aquele som irritante do teclado faz mal aos ouvidos, e aquele “hi-fiiii” de Brett é ridículo.

Felizmente, segue-se “Indian Strings”, e passamos do mau para o requintadamente bom. O teclado de Neil cria um atmosfera bem indiana, em conjunto com a guitarra acústica de Richard. A bateria forte é substituída por uma data de tambores, e Brett, com a sua voz de lamento, consegue criar uma atmosférica exoticamente melancólica. Depois, o refrão dá o toque final, usando novamente o “teclado disfarçado de violino” de Neil num “riff” delicioso, acompanhado por um baixo cheio de classe, e uma guitarra eléctrica do melhor que há. No fim, até acabar o tema, junta-se tudo, e o resultado é espectacular.

Mas “He’s Gone” e “Crack In The Union Jack” não ficam atrás. Aliás, estas, e “Indian Strings” formam o melhor momento de Head Music. “He’s Gone” é uma balada à Suede. Brett tem uma performance intocável, e a letra é muito boa, ao contrário de certas e outras que aparecem no disco… “Like the leaves on the trees/ like the Carpenters song/ like the plains and the trains and the lives that were young/he’s gone, and it feels like the words to a song”. Das melhores estrofes que já ouvi, com certeza. Depois, a fechar, uma música curtinha. “Crack In The Union Jack” é o mais perto que os Suede estiveram de dar uma opinião política, numa faixa onde apenas se ouve a guiatrra tocada por Brett e o teclado tímido de Neil.  “Heard it on the radio/ saw it on the news today/ heard the lonely people say/ “there’s a great big crack/ in the Union Jack””.

Em suma, “Head Music” tem os seus problemas, mas não é algo que envergonhe os Suede. Tem um par de canções muito boas, outras apenas boas, e umas que ou se vai gostar ou se vai detestar por completo. Há de tudo, e se este é o álbum menos compacto dos Suede, não é por isso que é menos desfrutável. Para fãs, é um CD diferente daquilo a que estão habituados a ouvir dos Suede, mas contém temas interessantes, e merece ser ouvido. Há quem adore, há quem deteste: eu gosto, e embora concorde que este seja o menos bom dos álbuns dos Suede, tenho a certeza que mais gente gostará se ouvir. Fica aqui a sugestão.

1. Electricity 4:39
2. “Savoir Faire” 4:37
3. Can’t Get Enough 3:58
4. Everything Will Flow 4:41
5. “Down” 6:12
6. She’s in Fashion 4:53
7. “Asbestos” 5:17
8. “Head Music” 3:23
9. “Elephant Man” 3:06
10. “Hi-Fi” 5:09
11. “Indian Strings” 4:21
12. “He’s Gone” 5:35
13. “Crack in the Union Jack” 1:56

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“Coming Up”, Suede [1996]

Posted by César Costa em 07/08/2010

http://2.bp.blogspot.com/_Qw0LNT3jkiU/S7FFQmXI0gI/AAAAAAAAANs/OoWZTJrY6t0/s1600/Suede+(Coming+Up+-+Front).jpgData de lançamento: 2 de Setembro de 1996

Género: BritPop

Duração: 42 min.

Gravadora: Nude

Produtor: Ed Buller

Por esta altura, a guerra do BritPop era entre Oasis e Blur. Supostamente eram as bandas com mais sucesso por estes tempos, e embora os Suede estivessem no seu pico de forma, os quase 2 anos passados entre Dog Man Star e Coming Up fizeram com que o público se preocupasse com outros sons. Mas enquanto Blur e Oasis se preocupavam mais em batalhar entre si, a ver quem ficava melhor na capa das revistas, eis que surge Coming Up. Este era o bilhete dos Suede de ida para o estrelato, lugar onde deveriam ter estado desde o primeiro álbum.

E quando digo “estrelato” falo de um reconhecimento não nacional (que sempre detiveram) mas sim internacional. Foi com Coming Up que os Suede chegaram a uma audiência muito maior, chegaram ao resto da Europa e Ásia, e conseguiram até algum sucesso na América. Até em Portugal se começou a falar mais nos Suede, e quase a nível diário singles como “Trash” ou “Saturday Night” passavam na rádio fazendo com que mesmo hoje as músicas sejam relembradas.

Brett Anderson queria um álbum pop e conseguiu. 10 músicas simples e boas. Longe vão as melodias pesadas e a sonoridade negra. Agora são canções de amor, de sátira, e celebração. Se compararmos Suede com David Bowie, digamos que esta era a sua era “Ziggy Stardust”, onde o ‘glam’, a voz nasal, e a androginia era predominantes.

E se com Dog Man Star a fasquia ficou elevadíssima, e a saída de Bernard Butler deixou dúvidas, o lançamento de Coming Up matou dois coelhos de uma vez só, não só conseguindo fazer um álbum tão bom ou melhor que Dog Man Star, como provando ao mundo que os Suede se dão bem sem Bernard Butler. Richard Oakes, o seu substituto, cobre bem o buraco deixado pelo ex-guitarista, o que se vê pela quantidade de músicas (boas músicas) que escreveu com Anderson.

A começar pela faixa de abertura, “Trash”. Talvez a melhor música da carreira da banda, é um hino aos ‘outsiders’, às pessoas diferentes, que o são e não se envergonham disso. É um hino à própria banda, aos fãs, e aos valores que defendem, que representam. É uma música para todos cantarem ao ouvi-la, para os karaokes, para os grandes públicos nos concertos. É para “os apaixonados na rua”, para quem usa “pulseiras sem gosto”, ou usa o “cabelo pintado” como Brett Anderson gloriosamente canta na letra. O refrão é dos melhores de sempre, onde “Traaash” simplesmente ecoa no ouvido, e o ritmo se entranha no corpo. É simples, fica na memória e é brilhante.

“Filmstar”, “Beautiful Ones” e “She” podem ser vistas como verdadeiras caricaturas à obsessão pelas celebridades. Em “Beautiful Ones” quase que dá para cheirar a sátira com que Brett canta “Here they come, the beautiful ones, the beautiful ones, la la la la”, com aquela vozinha nasal como tudo, tão memorável, tão épica, esquisita por vezes, mas que sempre fica bem. “By The Sea” é uma balada tocante sobre “começar uma nova vida” “tentando arduamente não tocar no chão”. Um dos pontos altos do disco. Já “Lazy”, uma típica faixa rock, retrata o espírito descontraído da juventude, usando uma boa faixa de guitarra, um refrão memorável, e um ritmo bem acessível.

“She” e “Starcrazy” são na minha opinião as faixas que se encontram um pouquinho abaixo do resto do álbum, mas que mesmo assim conseguem ser boas o suficiente para não se passar à frente. “Starcrazy” fala de uma rapariga que “não quer educação”, como diz o refrão, e para mim é uma das provas de que Richard Oakes chega por vezes a superar Bernard Butler na guitarra. Basta ouvir a guitarra de início ao fim da música para perceber do que falo…

“Picnic By The Motorway” é mais uma balada que mais à frente passa a ser guiada pelo teclado de Neil Codling (o novo membro da banda que até agora me esqueci de mencionar), que aparece em grande plano neste tema. O falsetto encantador de Brett, a guitarra tímida que vai perdendo a vergonha à medida que a faixa avança, e claro, infantilidade do som do teclado de Neil conseguem criar uma música de topo, que constitui o grande momento do disco, ao lado de… “The Chemistry Between Us” e “Saturday Night”, as duas últimas faixas do álbum.

“The Chemistry Between Us” é uma absoluta obra prima, onde a junção do violino com a guitarra e o teclado levam a música para outro patamar. Na letra, Brett pergunta-se: “Class A, Class B [drogas]… é esta a única química entre nós?”… A segunda metade do tema é simplesmente divinal, e a verdade é que é impossível não haver química entre o ouvinte e a música.

Por fim, o disco fecha com “Saturday Night”, uma das músicas mais conhecidas dos Suede por estas bandas. É uma balada final, que é costume cantar-se quando passa na rádio e tal… Quem ouvia música pop por esta altura, reconhecerá decerto este tema… Fala da alegria que é saber que depois do trabalho, o pessoal vai todo sair a noite, esquecer os problemas da vida, “beber”, “fazer baboseira”, “rir”, e que no fim “tudo estará bem, como toda a gente diz”… Tudo isto ao som do belo riff que prossegue até ao fim da faixa. Encantador.

Coming Up é 90’s no seu melhor. É rock bem acessível, pop, para dançar, ouvir antes de ir sair à noite, ou simplesmente para celebrar a vida e a juventude. Coming Up é isso tudo…

1. Trash 4:06
2. Filmstar 3:25
3. Lazy 3:19
4. “By the Sea” 4:15
5. “She” 3:38
6. Beautiful Ones 3:50
7. “Starcrazy” 3:33
8. “Picnic by the Motorway” 4:45
9. “The Chemistry Between Us” 7:04
10. Saturday Night 4:32

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