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“Michael”, Michael Jackson [2010]

Posted by César Costa em 16/12/2010

 

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Data de lançamento: 14 de Dezembro de 2010

Género: Pop

Duração: 41 min.

Gravadora: Epic (Sony Music Entertainment)

Productores: Michael Jackson, Akon, Giorgio Tuinfort, Teddy Riley, Tricky Stewart, Neff-U, Lenny Kravitz, John McClain, Brad Buxer, Angelikson

 

 

Não se pode esperar muito de um álbum póstumo. O artista não está cá para dar o seu toque final, e é exactamente isso que falta a “Michael”. Isso e mais umas coisinhas que já explicarei à frente.

“Michael” não é de todo um mau álbum. Aliás, é o contrário. É um álbum simples, com os seus pontos fortes e fracos, mas que no geral tem uma qualidade bem aceitável. É um disco melhor do que muita gente poderia pensar, e quanto a mim… bem, atingiu as expectativas. Não é nenhum “Thriller”, nem pouco mais ou menos, nem sequer nenhum “Invincible” (sim, “Invincible” é um grande álbum), que poderá ser o álbum mais comparável a este novo CD… Mas consegue oferecer momentos em que justifica porque Jackson era o Rei da Pop. Era, é, e sempre será.

O novo single “Hold My Hand” é tudo menos novo. Já em 2007 havia sido “lançado” na internet, mas na altura a música estava planeada para o álbum “Freedom” de Akon. Acabou por ser arquivada, justamente devido ao “vazamento”, mas o inegável era de que a faixa possuía qualidade. Para “Michael” ela foi melhorada, e diga-se, é um belo tema.

Outro single, mas este só de ‘airplay’, é “Breaking News”, e é aqui que “Michael” começa a entrar em terreno pouco abonatório para MJ. Aqui vemos Michael num registo que esteve espalhado pelo álbum “HIStory” do princípio ao fim, ou seja, Michael Jackson em papel de coitadinho. E embora Jackson consiga cansar de tanto atacar os tablóides a verdade é que ele não fez nem metade daquilo que lhe fizeram durante anos a fio, e nem 1000 músicas contra os media pagarão a tortura psicológica a que o homem foi sujeito. A faixa é boa, a letra, apesar do que referi, é também “simpática” (não é uma piada…), e mostra Jackson ainda mais directo e agressivo que nunca… o que falha é a produção. A polémica que gerou não é por acaso. Michael soa como uma imitação barata de si próprio nesta faixa. Nesta e em mais um par delas… A quantidade de equipas de produção deixou o álbum fragmentado em várias partes, e o pior de tudo é que as faixas foram distribuidas, como se alternar entre productores a toda a hora fosse uma boa ideia. A voz do Rei foi ridiculamente manipulada nalgumas faixas e há algumas em que parece que andaram a mudar o pitch umas 50 vezes. Mais, alguns temas têm demasiado Auto-Tune. Não que ele precise, e não que o público não saiba que Michael Jackson dispensa qualquer efeito na sua voz, mas o seu uso era desnecessário. “Best Of Joy” seria uma canção muito melhor (do que já é) se deixassem a voz de Jackson natural. A voz computorizada de MJ faz lembrar Glados, do videojogo Portal, e contrasta com a simplicidade e inocência do tema, que diga-se é uma ode aos Bee Gees, no melhor sentido possível.

Mas se por um lado “Michael” falha na produção, embora eu ache que os productores tenham feito um bom trabalho na concepção das faixas (apenas não na sua mixagem), o álbum é um sucesso no resto. Está recheado de temas interessantes, uns mais que outros, é certo, mas não há nada aqui que se possa classificar como mau. “Keep Your Head Up” é uma balada muito boa, “Hollywood Tonight” é típico Michael Jackson quase no seu auge, “(I Like) The Way You Love Me” é leveza de cima a baixo e “Behind The Mask” é um tema “space funk” supreendentemente bom. O tema com Lenny Kravitz é o mais fraquito do trabalho, mas já “Monster”, que inclui o rap desnecessário, mas suportável, de 50 Cent, é uma faixa interessante, e seria bem melhor não fosse a produção fatela e a letra ‘pointless’. Há ainda uma balada acústica “bónus” no final do disco, “Much Too Soon”, gravada na era Thriller, tal como “Behind The Mask”, onde ouvimos Michael num registo mais íntimo e introspectivo.

No fundo, para além da produção, “Michael” falha em pouco mais… Além de tudo o que já disse, é bom ouvir o Rei da Pop de volta com novo material depois de 9 anos na seca, e se existem músicas que poderiam ter sido mais trabalhadas, e outras que pecam por terem sido demasiado trabalhadas, por outro lado o resultado é positivo. Espero que estas canções não sejam as melhores da ‘cantera’, pois se o melhor é isto então haverá muito lixo nos próximos álbums. Todavia, “Michael” é um óptimo lembrete do talento imenso de Michael Jackson. É feito na mesma fórmula que a maioria dos seus antecessores: temas R&B contagiantes acompanhados por baladas e temas mais leves. A fórmula volta a resultar, e mesmo com a falta de continuidade sonora gritante, a produção por vezes barata, e o facto de não haver nada inovador nem que se bata de igual para igual com o legado deixado pelo artista, “Michael” é um vencedor, pois consegue agarrar o ouvinte, superar as expectativas (por muito baixas que fossem), e possui temas que seguramente serão ‘hits’ consideráveis se lançados como singles.

1- Hold My Hand
2- Hollywood Tonight
3- Keep Your Head Up
4- (I Like) The Way You Love Me
5- Monster
6- Best Of Joy
7- Breaking News
8- (I Can’t Make It) Another Day
9- Behind The Mask
10- Much Too Soon

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Update – 15 de Novembro de 2010

Posted by César Costa em 15/11/2010

https://i0.wp.com/upload.wikimedia.org/wikipedia/en/8/8f/Michaelalbumcover.jpgHoje dia 15 sai o tão esperado single do tão esperado primeiro álbum póstumo de Michael Jackson. A faixa “Hold My Hand” já havia anteriormente vazado na internet, mas agora é lançada oficialmente pela Sony, numa nova e melhorada versão.

Num registo inquestionavelmente Michael Jackson, este novo single vem acalmar os fãs que alegam que as 2 faixas já anunciadas e vazadas na net do novo álbum “Michael”, “Breaking News” e “Keep Your Head Up”, não são cantadas pelo Rei da Pop. Devo dizer que concordo a 100% com estas alegações. Depois de ouvir com atenção ambas as faixas fiquei com a impressão de que quem estava era um imitador qualquer, pois a voz soa consideravelmente diferente do habitual. Das duas uma: ou a sua voz mudou desde “Hold My Hand” (que foi gravada em 2007) ou então é mesmo outro alguém o intérprete das canções. E a confirmar-se isto… é bastante grave.

 

De qualquer forma, “Hold My Hand” é mais uma prova do talento de MJ. Apesar de aparecer no álbum póstumo do artista, esta faixa estava planeada para sair no álbum “Freedom”, de Akon, mas acabou por ser cancelada justamente por ter ido parar à web. Esta versão é melhor produzida e mostra um Michael Jackson que estava preparado para voltar ao sucesso.

“Hold My Hand” é assim, inevitavelmente, a minha sugestão da semana.

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“Bad”, Michael Jackson [1987]

Posted by César Costa em 22/03/2010

Data de lançamento: 31 de Agosto de 1987

Género: Pop, R&B, Rock

Duração: 48 min.

Gravadora: Epic

Produtores: Michael Jackson, Quincy Jones

E começo aqui a minha série de reviews a álbuns, com um dos meus ídolos.

A escolha do álbum não é por razão nenhum em especial, nem é o meu álbum preferido de Jackson. No entanto, o álbum apareceu numa época em que Jackson era de longe a maior estrela pop do planeta, um verdadeiro fenómeno musical.

“Bad” é o sucessor de “Thriller”, aquele que é ainda hoje o álbum mais vendido de sempre, e embora tenha vendido consideravelmente menos que este último, “Bad” não deixa de estar ao mesmo nível de qualidade. O disco mostra claramente um artista mais maduro, já com o seu próprio som na bagagem, e por muito incrível que parecesse, com muito ainda para dar.

“Bad” é feito sobre a mesma fórmula comum em quase todos os álbuns de Michael: uma verdadeira mescla de géneros musicais, que no entanto soam bastante comerciais. E comercial no bom sentido. Sim, no bom sentido. Nos anos 80 o comercial era bom… E muito bom, como MJ o provou. Quem mais mistura tantos sons num só disco? É incrível como “I Just Can’t Stop Loving You”, uma bela balada, e “Dirty Diana”, uma malha hard rock, se encontram uma seguida da outra no disco, e tudo soa muito bem. So Jackson o consegue fazer… “Thriller” é assim, cheio de contrastes, e em “Bad”, o mesmo se passa, no entanto um pouco mais suavizado.

Embora este disco nunca atinja a perfeição de “Billie Jean” ou Beat It”, pode-se considerar “Bad” um projecto mais sólido e consistente que o seu antecessor. Todas as faixas são muito boas, com excepção de “Speed Demon”, que se encontra apenas uns furinhos abaixo, e a produção inteligente de Quincy Jones faz com que o álbum flua naturalmente. As músicas estão em ordem lógica, e embora  a já mencionada passagem de “IJCSLY” para “Dirty Diana” pareça um pouco brusca, ela não é de todo incomodativa.

O disco arranca com “Bad”, uma faixa digna de MJ, com o “atrevimento” habitual de Jackson a exprimir-se com evidência, o ritmo vibrante já identificável, e trompetes absolutamente deliciosos de ouvir, a partir da segunda metade da faixa. É sem dúvida uma das melhores faixas no disco. Segue-se depois “The Way You Make Me Feel”, onde Jackson tenta seduzir uma rapariga, dizendo que “trabalhará das nove às cinco para comprar coisas que a mantenham ao seu lado”. A música em si é brilhante, e muito contagiante. Aposto que fez furor nas pistas de dança em 87…

“Speed Demon” é engraçadinha, mas a primeira metade da música é um pouco monótona. Transita-se para “Liberian Girl” com naturalidade, outra balada clássica, com um som muito próprio, e depois “Just Good Friends”, um dueto com Stevie Wonder, com uma intro delirante, absolutamente genial. É praticamente impossível ouvir e não ter vontade de dançar…

O disco passa por “Another Part Of Me”, e chega a “Man In The Mirror”, onde Michael introduziu coros de Gospel na sua música pela primeira vez, acredito, resultando numa faixa épica.

“I Just Can’t Stop Loving You” é um dos pontos altos do álbum, e “Dirty Diana” é igualmente boa, com um cheirinho a hard rock.

“Smooth Criminal” é um clássico que dispensa apresentações, e o trabalho fecha com “Leave Me Alone”, onde Michael ataca pela primeira vez os tablóides com as suas histórias bizarras sobre ele.

Apesar de ser dos álbuns de Jackson aquele que menos bem envelheceu com o passar dos anos, no geral, o álbum é bastante coeso,  nunca aborrece ou perde qualidade, e mostra bem porque Michael Jackson era considerado um génio musical. “Bad” figura entra os melhores trabalhos de MJ, e é uma excelente adição à colecção de qualquer fã de música. Aconselho vivamente…

1. Bad 4:07
2. The Way You Make Me Feel 4:57
3. Speed Demon 4:01
4. Liberian Girl 3:53
5. “Just Good Friends” (com Stevie Wonder) 4:06
6. Another Part of Me 3:54
7. Man in the Mirror 5:20
8. I Just Can’t Stop Loving You” (com Siedah Garrett) 4:11
9. Dirty Diana 4:41
10. Smooth Criminal 4:17
11. Leave Me Alone 4:40

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