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Final Fantasy XIII (PS3)

Posted by César Costa em 15/12/2010

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Género: RPG

Editora : Square Enix

Distribuidora: Square Enix

Plataformas: PS3

Data de Lançamento: 9 de Março de 2010

A série Final Fantasy dispensa quaisquer tipo de apresentações. Trata-se simplesmente de uma das mais influentes franchises de RPGs da história dos videojogos, onde o padrão de qualidade se tem mantido quase inalterável. Esta nova edição não é excepção à regra. O novo título da Square Enix chega à nova geração com um jogo que supera todas as edições passadas em valores de produção, e pode-se dizer que também não fica nada atrás noutros aspectos.

Na obrigatoriedade de fazer uma introdução a um jogo do qual estou ansioso por falar daquilo que realmente interessa, serei breve. FFXIII dá-se num mundo onde existem, bem… dois mundos. Cocoon e Pulse. Cocoon é a verdadeira definição de metrópole, onde as massas são regidas por um governo que mantém aparentemente tudo na ordem. Aqui, esse governo chama-se Sanctum. Ora Pulse é o oposto. Um mundo tido como selvagem, recheado de perigos. Pelo menos é assim que os habitantes de Cocoon vêm Pulse, um inferno natural, e talvez por isso tenham vivido durante séculos num paralisante medo. Certo dia (e perdoem-me pela expressão cliché) as pessoas erradas são marcadas como L’Cies, autêntico servos dos Fal’cies (entidades que suportam a existência humana em Cocoon), ficando agarradas a Focus, que por sua vez são tarefas que têm de cumprir para evitar a transformação em Cieth (monstros, resumindo), e as pessoas certas tentam resolver tudo. Sim, muitos nomes, muitas personagens envolvidas, a história de Final Fantasy XIII é um autêntico novelo. É uma profundidade difícil de lidar, mas cedo se começa a apanhar o ritmo ao enredo, com muita ajuda de uma série de artigos (datalog entries) que nos explicam tudo sobre o mundo de Final Fantasy XIII.

O jogo segue a história a partir dos pontos de vista de vários grupos de personagens, e portanto a nossa equipa de aventureiros está em constante mudança entre Chapters, o que é óptimo para renovar a jogabilidade. A trama é decerto um dos pontos fortes do jogo, e embora seja incrivelmente complexa e confusa é isso que lhe dá beleza e interesse. A profundidade do enredo vai manter o jogador preso á aventura até ao fim. E por falar nisso, profundidade é o que não falta em Final Fantasy XIII.

A começar pelo sistema de batalhas. De volta ao Active Time Battle a que a série nos habituou em capítulos mais antigos, FFXIII traz um conjunto de adições interessantes que tornam este sistema de batalhas um dos mais sumarentos da série. Só controlamos o nosso líder, que passa a poder ser definido por nós mais tarde no jogo, e connosco estão mais 2 amigos. De início parece muito simples. Aliás, demasiado simples. As primeiras 3 horas de jogo resumem-se a carregar no X, já que existe um comando Auto-Battle que selecciona as acções mais adequadas à situação. Ora como no início não há muito por onde escolher, tumba X por ali fora. Outro aspecto que também dá profundidade ao jogo é o facto de termos sempre meia dúzia de barras e medidores que temos de ter em atenção. Um mais importante é a barra de Stagger. Difícil de explicar, mas extremamente fácil de entender na práctica, a barra de Stagger mede essencialmente a resistência do inimigo a dano maior. Se a barra de Stagger for cheia o inimigo entra em Stagger e o dano infligido é multiplicado. Ou seja, a melhor maneira de deitar um bicharoco enorme abaixo é encher primeiro a barra até ele entrar em Stagger e depois é atingir-lhe com toda a força enquanto este estado de menor resistência dura.

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O jogo começa a evoluir e introduz o Paradigm Shift; aí tudo muda. Os Paradigms são nada mais que autênticos esquemas tácticos das batalhas de FFXIII. Um Paradigm especifica o que cada elemento do nosso grupo faz na batalha. Existem 6 roles, ou papéis, disponíveis: Commando (para distribuir chapada), Ravager (para mais facilmente encher a barra de stagger usando ataques elementais), Sentinel (para atrair a atenção dos inimigos), Synergist (que fortalece a equipa), Saboteur (para enfraquecer os adversários) e Medic (que cura a equipa). São vários os Paradigms que existem e todos eles deve ser usados consoante a situação em que nos encontramos na batalha. Os Paradigms devem ser definidos antes das batalhas, havendo um máximo de 6 paradigmas. Durante as batalhas seremos confrontados com situações diferentes e a beleza deste sistema de batalhas está em podermos escolher o paradigma que melhor se adapta ao momento. Se estivermos a precisar de um upgrade no HP mudamos para um paradigma com dois Medics e um Sentinel, onde o Sentinel distrairá os inimigos enquanto os dois Medics trabalham em conjunto para reestabelecer a energia ao grupo. Se por outro lado estivermos a precisar de uma ajudinha extra mudamos para um paradigma que inclua um Synergist e ele tratará de adicionar ‘status enhancements’ à equipa. O ritmo das batalhas é frenético e a chave para o sucesso está mais em escolher o paradigma certo e ter uma estratégia mais ou menos definida do que propriamente em escolher os ataques ou habilidades certas. O Auto Battle é essencial, mas claro que mesmo assim podemos escolher as habilidades que usamos…

Os summons sempre foram parte integrante e importante em capítulos anteriores e Final Fantasy XIII não fica fora da foto. Os Eidolons, como aqui se chamam, são uma boa adição à jogabilidade e vão sendo introduzidos gradualmente, embora não sejam muito úteis durante o decorrer do enredo.

A exploração é limitada neste FFXIII, devo dizer. Aliás, esse é mesmo o ponto mais criticado no jogo, mas como os produtores explicaram, essa decisão em tornar os cenários mais lineares foi tomada para manter o jogador focado na história. E resulta até certa altura… Os chapters iniciais demoram algum tempo a arrancar e na altura em que chegamos a Gran Pulse, onde o jogo se abre completamente, já alguns jogadores se sentirão cansados de percorrer autênticos corredores claustrofóbicos de inimigos. Mas se o mundo de Gran Pulse fosse revelado mais cedo talvez este aspecto não fosse tão notório. É algo que dividirá os jogadores, uns gostarão da lineariedade e outros sentirão saudades da exploração e das sidequests. Não que não haja sidequests, elas existem, e existem até missões, mas apenas estão disponíveis a partir de uma certa parte do jogo, já bem próximo do final da história. A interacção com outras pessoas, bem presente em outros RPGs, é quase inexistente aqui, e embora isso faça sentido, dada a natureza do enredo, pode afastar alguns jogadores.

Se conseguirem ultrapassar esta lineariedade durante a aventura e guardarem as sidequests para depois terão um RPG quase perfeito. Tudo o resto está nos trinques. Os gráficos são do melhor que há. As paisagens são absolutamente fantásticas, principalmente em Gran Pulse. O mundo de Final Fantasy XIII foi construído e renderizado até ao ínfimo detalhe de forma sublime. As cutscenes deixam qualquer um boquiaberto: verdadeiros filmes animados em CG onde a localização para inglês nos movimentos labiais das personagens foi bem conseguida. As performances dos actores são também convincentes e conseguirão prender o jogador às cutscenes.

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Em termos de som, Masashi Hamauzu substituiu o habitual Nobuo Uematsu na banda sonora. E diga-se, fez um trabalho de mestre. A banda sonora é divinal. Inúmeros temas vão tocar na cabeça de muitos jogadores mesmo sem estarem estes a jogar o jogo! Desde peças orquestrais a Jazz, desde Rock a Bossa-nova, Hamauzu presenteia-nos com o seu génio musical e consegue conferir a Final Fantasy uma OST épica.

Este FFXIII oferece um novo sistema de evolução de habilidades, o Crystarium, onde podemos trocar Crystogen Points, que ganhamos nas batalhas, por habilidades e upgrades às nossas capacidades. Outra característica do jogo é o novo sistema de upgrade de armas. Bastante intimidante a princípio, cedo nos damos conta da infinidade de possibilidades a nosso dispor. Existem componentes e acessórios que podemos equipar nas nossas armas. Os acessórios servem para acrescentar habilidades às armas, e as componentes servem, por sua vez, para evoluir as armas. Também os acessórios em si podem ser evoluídos…

Para finalizar, apenas dizer que recomendo vivamente este novo capítulo da saga da Square Enix. O jogo foi polido até à exaustão e é notório o trabalho que foi feito no jogo. Os gráficos estão deslumbrantes, o sistema de batalhas é viciante e a banda sonora é deliciosa. Os únicos defeitos do jogo poderão ser a lineariedade do mesmo durante o decorrer do enredo e a omissão de algumas características clássicas de RPGs. Não que isso estrague a experiência de jogo mas com certeza afastará alguns jogadores deste título. Depois de terminada a história não há nada que diferencie muito pela negativa este RPG de outros. O final da aventura é muito bom e dará que pensar durante algum tempo, ainda para mais quando se sabe que mais 2 jogos relacionados com FFXIII estão para sair, que se espera que tragam algumas respostas ao enredo complexo de FFXIII. Se forem novos em RPGs este Final Fantasy XIII é o melhor jogo possível para se introduzirem ao género, e se por outro lado já forem habitués, especialmente de RPGs japoneses, também terão aqui uma bela compra.

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3 Respostas to “Final Fantasy XIII (PS3)”

  1. Excelente jogo para Playstation 3, eu recomendo a todos!

  2. Tiago Daniel Moreira Santos said

    Apesar de não ser grande adepto deste género de jogos, reconheço a sua qualidade e o porquê de muitos serem “vidrados” no mesmo.

    Saudações de Valongo.

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