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FIFA 11 (PS3)

Posted by César Costa em 13/10/2010

https://i0.wp.com/www.planetajogos.pt/ficheiros/uploads/2010/09/FIFA-11-PS3.jpgGénero: Desporto (Futebol)

Editora : EA Canada

Distribuidora: EA Sports

Plataformas: PS3, Xbox 360

Data de Lançamento: 1 de Outubro de 2010

FIFA é um velho amigo dos jogadores. O espírito arcada e descontraído que conquistou os jogadores no final da década de 90 já lá vai e hoje a série da EA Sports está na vanguarda do realismo. Mas nem tudo foram rosas. Em meados de 2004 a Konami começa a por um pé à frente da EA e lança PES 4, a consolidação do sucesso que já PES 2 e PES 3 tinham conseguido mas que por alguns problemas ainda não era líder nem em termos de vendas nem de críticas. Depois de um período de claro domínio nipónico, FIFA entra na nova geração de consolas com toda a força e desde então não mais parou. Este ano a EA volta a provar por que é líder nos simuladores de futebol.

As alterações dentro do campo são perceptíveis a quilómetros. Nota-se um abrandamento na jogabilidade, o que é óptimo, pois FIFA 10 deixou alguns jogadores com medo que a EA começasse a acelerar demasiado o jogo. FIFA 11 é mais lento no geral, mas claro, com os seus sprints. Os passes estão mais realistas, embora seja uma dor de cabeça ajustarmo-nos a eles. Os remates estão também melhorados e ao passo que grandes jogadores fazem grandes estragos, jogadores apenas medianos não têm tanta precisão no remate como tinham antes. Além disso, agora não somos só nós que falhamos golos claros, o CPU também falha algumas oportunidades flagrantes. No cômputo geral nota-se maior diferença entra as estrelas mundiais e os jogadores apenas bons, algo que não acontecia tanto em jogos anteriores. Isso implica também uma maior diferença em termos de dificuldade entre um Barcelona e um Braga. Essa diferença é bem notável, ainda que no estilo de jogo especificamente dito essa diferença não seja tão perceptível.

O jogo físico foi mais trabalhado este ano e agora existe realmente uma luta espacial, e não automática pela bola. Não basta carregar no botão de pressão para desarmarmos um adversário: temos que nos movimentar para o lado que mais nos favorecer fisicamente e mesmo dentro das limitações do jogador que tivermos a controlar é sempre possível ganharmos as bolas desde que estejamos bem posicionados. Certo que existem alguns empurrões, e algumas vezes até em cima do limite do aceitável, mas se recorrermos à repetição reparamos que tudo acontece quer dentro das leis da física quer das do jogo, mas neste último parâmetro tudo vai depender… do árbitro da partida. E aqui chegamos a outra característica do jogo: podemos escolher o árbitro da partida, cada qual com os seus critérios que vão desde o brando ao rígido, o que pode aliviar algum problema que alguém tenha com a arbitragem. Se acharem que estão a levar muitos empurrões escolham um árbitro mais rígido, mas se não quiserem que ele seja muito rigoroso nos cartões, por exemplo, podem escolher um que seja “rígido” nas faltas mas “brando” na aplicação de cartões. O que ainda está mal é a lei da vantagem…

Em termos de licenças já sabemos o que esperar: toneladas de ligas, devidamente licenciadas. Tem as suas lacunas, e a ausência de estádios portugueses dá pena, mas isso é facilmente compensável pelo facto de o jogo ter mais de 30 ligas!

https://i0.wp.com/www.leaguearena.com/forum/images/CMSIMAGES/FIFA11JUVE.jpg

O modo Carreira é um modo novo que engloba vários já existentes em FIFA. Engloba o modo Treinador, em que jogamos com a equipa que treinamos, o Be A Pro, que este ano inclui também a possibilidade de controlar o guarda-redes, e um novo modo, Jogador-Treinador, que basicamente é uma mistura dos dois outros. Essencialmente é uma Carreira em que temos a flexibilidade e liberdade para escolhermos como queremos jogá-la. Novidade é o facto de agora podermos repartir o orçamento da equipa da maneira como quisermos, dedicando 50% para salários e 50% para transferências, 20&/80%… como quisermos. Pena é terem tirado pelos vistos muitas opções deste modo. No modo Be A Pro temos novidade ligeiras. Agora está mais difícil conquistar o ‘mister’. Ao mínimo erro somos penalizados na classificação da nossa performance, mas quando as coisas correm bem tendem a correr ainda melhor se nos permanecermos concentrados, o que é bem recompensador. Já não seremos um zero à esquerda de início como eramos antes, mas também é agora mais difícil evoluirmos. Ah… e no início esperem uns bons joguinhos de fora…

Mas a grande novidade é podermos ser o guarda-redes. E é espectacular! Fazer uma grande defesa e conseguir salvar a equipa do aperto é a melhor sensação do mundo, e o esquema de controlos não podia ser mais simples e intuitivo: analógico direito. Reflexos e posicionamento exigem-se, e se algum destes falhar é golo pela certa.

Graficamente o jogo continua muito bom, ligeiramente melhor que o seu rival, e este ano as diferenças corporais estão bem mais visíveis. Ao longe os ombros descaídos de Ronaldo são inconfundíveis e as pernas-palito de Crouch metem impressão, tal como na realidade. As parecenças de jogadores é que podiam estar bem mais trabalhadas, e apesar de os mais famosos estarem iguaizinhos esperava um trabalho melhor nos menos mediáticos.

Dentro de campo as coisas estavam já quase perfeitas em FIFA 10 e em FIFA 11 ocorreram alterações. A jogabilidade base continua lá, o que é óptimo, mas este ano introduziram uma característica muito falada. Falo do Pro-Passing. A intenção era tornar os passes mais realistas, pois muita gente queixava-se de que era muito fácil circular a bola entre a nossa equipa até ao ataque. Quanto a mim… nunca me queixei, e o facto é que agora é muito difícil, em certas situações, fazer um passe chegar ao destino. Muitas vezes saem fraquíssimos e e na maioria das vezes o jogador que vai receber a bola ainda fica a espera durante um bom tempo por ela. Mais… é preciso um bom tempo até nos habituarmos a estes novo sistema de passes e preparem-se para boas doses de dores de cabeça nos primeiros jogos. O jogo é também muito susceptível a jogadores com muita sorte: a física do jogo dá muitas hipóteses a quem tem a bola, mesmo que seja desarmado há sempre um ressalto que faz com que a bola se mantenha na posse do mesmo jogador, isto vezes consecutivas. Várias paragens cerebrais, guarda-redes pouco resolutos em certas situações, remates tele-guiados, defesas que não esticam um dedo do pé para interceptar um passe… são númeras as situações constrangedoras que não aconteciam em FIFA 10 e podiam ser facilmente evitadas. Até as arbitragens estão menos precisas…

Contudo, foi fora do campo que FIFA 11 mais novidades trouxe. Agora podemos criar jogadores e equipas no Creation Center Beta, uma aplicação disponível no site do jogo, que posteriormente podemos transferir para a consola. Já existem inúmeras equipas com grandes craques do passado com as quais podemos brincar e reviver memórias antigas. O editor não é nem de perto nem de longe tão poderoso como o de PES, mas para uma aplicação Beta é já bem aceitável.

https://i2.wp.com/www.ypsilon2.com/blog/wp-content/uploads/2010/09/fifa11.jpgTambém podemos agora importar cânticos para o jogo, o que é bastante útil se quisermos dar uma maior autenticidade ao jogo, mais do que a que ele já tem. Além disso, nova é também a possibilidade de podermos construir a nossa própria banda sonora criando playlists com o nosso OS da nossa consola. Basta para isso arranjar uns MP3s de umas músicas larocas, juntar tudo numa playlist, e aceder à opção respectiva do jogo para adicionar a tal playlist. A partir daí ouviremos as nossa músicas preferidas, ou aquelas que acharmos mais convenientes para usar num jogo de futebol, a rolarem durante menus, arena e repetições. Mas não se pense que seremos obrigados a fazer isto. A banda sonora incluída no jogo é bastante boa, bem melhor que a mistura esquisita de FIFA 10. Scissor Sisters, Gorillaz e Black Keys são apenas alguns dos muitos artistas que animarão os serões de FIFA ao longo deste ano, e se algumas músicas serão silenciadas, outras vão viciar…

Quanto ao online… FIFA 11 volta a ser um vencedor. A quantidade de modos online é incrível… Ligas online, Clubes online, jogos Frente-a Frente, partidas 11 vs 11… Uma panóplia de opções está à nossa disposição para jogarmos com jogadores de todo mundo. Problemas de lag são raros, e ainda que existam bugs, eles acabam sempre por ser corrigidos com os patches habituais passado 1 ou 2 meses.

FIFA 11 traz novidades fora do campo mas falha em alguns pontos e não consegue ser a sequela de FIFA 10 que poderia ter sido. Ainda assim, o realismo e diversão do jogo compensam os erros que o jogo tem, e estes tornam-se quase insignificantes ao lado do mundo de futebol que espera os jogadores. FIFA continua a celebrar o futebol como a festa que é, e é a excitação que provoca, o realismo que transpira, e a autenticidade que a ele está associado que fazem deste jogo o rei dos simuladores de futebol. Está recheado de pequenos detalhes que embelezam a experiência de jogo e embora tenham sido inexplicavelmente tiradas algumas opções do modo Carreira (deixando-o desinteressante, até), e esteja ainda minado por alguns bugs irritantes, FIFA 11 é em suma um jogo de futebol incrivelmente completo. É um grande jogo que nenhum fã de futebol pode deixar escapar.

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