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Mirror’s Edge (PS3)

Posted by César Costa em 29/09/2010

https://i2.wp.com/www.inforpascoa.pt/media/image/5030944064696.jpgGénero: Acção/Aventura

Editora: Digital Illusions CE (DICE)

Distribuidora: EA

Plataforma: PS3

Data de Lançamento: 14 de Novembro de 2008

Mirror’s Edge é no mínimo, original. Mistura muitos elementos característicos do género de aventura, e atira-os para uma perspectiva na primeira pessoa. À primeira vista parece um FPS comum, mas temos uma protagonista que practica Running (Parkour, a bem dizer), o que faz toda a diferença.

A acção situa-se num futuro próximo, numa cidade onde tudo é vigiado, “practicamente” não existe crime e o povo vive oprimido pelo governo totalitarista, que através dos media, distorce a realidade para manter a população na ignorância (muito à semelhança do que acontece na realidade, diga-se…). A trama começa quando, no entanto, aparece um candidato presidencial que promete mudar a cidade e fazer dela o que era antes, viva. Robert Pope, o citado político, é assassinado, e a irmã da protagonista Faith, Kate é incriminada pelo assassinato. Aí Faith inicia uma corrida contra o tempo e contra os “polícias” da cidade para salvar a sua irmã.

Quando se inicia o jogo, o primeiro reparo são os controlos. São bastante intuitivos, respondem imediatamente, e o esquema de comandos é no geral incrivelmente simples. Depois, o level design está bastante bom. Não obstante, depois de alguns inevitáveis deslizes ao longo do jogo, vamos percebendo algo que já era bem patente em outros jogos: a perspectiva de primeira pessoa em secções de plataformas é meio caminho andado para as coisas correrem mal. Nunca repararam em FPSs com secções de plataformas (Half-Life, por exemplo) que é bastante complicado por vezes controlar a personagem? Como não temos a noção de onde temos as pernas, há sempre a possibilidade de cairmos de uma plataforma se fizermos um salto menos bem calculado ou andarmos de um lado para o outro. Esse é o grande problema de Mirror’s Edge, conceptual, é certo, mas que no fundo é a base de todos os erros que existem no jogo. Nos primeiros níveis, pouco incomodará, mas nos Time Trials e nas Speedruns, onde um deslize mínimo dá direito a começar a fase toda de novo, esta imprecisão de movimentos, causada pelo facto de não vermos o nosso corpo na maior parte do tempo, é propícia a que a frustração apareça. E não são poucas as vezes que dá vontade de soltar palavrões para a TV pois ao mínimo erro lá estamos nós a começar de novo algo que demora uns 10 minutos a completar. Não há checkpoints? Não, inexplicavelmente.

https://i2.wp.com/ps3media.ign.com/ps3/image/article/925/925607/mirrors-edge-20081030001423223_640w.jpgNão há nada melhor que encadear uma série de movimentos numa corrida desenfreada pelos telhados da cidade. Mesmo com a linearidade dos mapas, existe sempre uma sensação de leveza e liberdade só comparável a Sonic, por exemplo. A linearidade que referi prende-se com o facto de não haver total liberdade sobre o percurso que se escolhe, apenas existe uma data de caminhos predefinidos pelos quais o jogador pode passar. Não há muito espaço para o improviso… Quer dizer, mais ou menos. Com isto chego a mais um defeito do jogo: foi mal testado. Se repararem nas speedruns dos melhores classificados mundialmente, indo ao Youtube, por exemplo, vêem que arranjam sempre estratagemas de fazer “batota”, apoiando-se em beiras invisíveis, objectos que supostamente não deveriam ajudar a um salto mas ajudam, uma física nem sempre realista… Enfim, jogadores mais dedicados a bater recordes conseguem facilmente encontras formas de enganar o mapa e avançar trechos mais lentos para ganhar tempo.

No entanto, nem tudo é mau em Mirror’s Edge, longe disso! A satisfação da exploração inicial é incomparável, mas tentar descobrir o caminho mais rápido da segunda vez que se joga é ainda melhor. Depois a diversão está em tentar fazer bonito, encadeando espécies de combos de movimentos para ver se fica ‘cool’. Claro, o timing é crucial, e apesar de os controlos serem simples e a curva de aprendizagem ser bem branda existe um tutorial a assistir muito importante.Só aprenderão noções básicas de movimento mas é a partir de aí que se parte para os ‘moves’ mais complexos como a combo “walrun, turn, jump”, bastante usada ao longo do jogo e de efeito muito bom.

Outro ponto positivo são os gráficos. Que beleza! A iluminação é das melhores que já se viu em jogos de nova geração, e o estilo de cenários é original. Fora aos tons insípidos dos FPS, Mirror’s Edge desfaz isso tudo aplicando cores vivas e bonitas aos cenários que fazem deste jogo único em termos de grafismo. É bastante fácil identificar Mirror’s Edge através de um screenshot, quer seja pelo Runner Vision, uma opção que marca a vermelho o percurso mais acessível (que não parecendo fica muitíssimo bem no meio dos cenários) quer seja pelo estilo Europeu da arquitectura. O branco e o azul são as cores que predominam, mas nos mapas interiores toda uma palete diversificada está presente em ME. A frame rate é constante o que ajuda a manter o jogo suave mesmo nas correrias mais atribuladas.

https://i0.wp.com/www.lexderuijter.nl/wp-content/uploads/2010/06/Games_Mirrors_Edge_Parkour_013696_.jpg

Em certas situações somos tentados a usar uma arma, mas dada a sua raridade acabam por ser pouco usadas. Os desarmes, além disso, são muito pouco precisos e justos, e por vezes somos capazes de jurar que carregámos no botão na altura certa e levamos um pêro na cara. Verdade seja dita: a mira é incrivelmente imprecisa e há uma horrível sensação de desconforto com uma arma na mão, mas se calhar até é de propósito. É muito mais divertido dar um murro num inimigo que se ponha à nossa frente e sair a correr do que ficar ali aos tiros e cortar o momentum do jogo. Em termos de som o jogo não brilha mas cumpre a sua função. Há uma tímida banda sonora electrónica que acabamos por ignorar pois só aparece com força nas cenas mais agitadas, e nessas alturas estamos mais ocupados em correr do que propriamente em desfrutar a música. Ainda assim o belo tema principal do jogo, “Still Alive”, é difícil de ignorar e fica na cabeça.

Várias vezes, demasiadas vezes, entramos em elevadores durante o jogo. É uma seca ficar ali à espera, mas em cima dos botões vão passando notícias. É bastante interessante ver o que o governo transmite ao povo através da comunicação social, distorcendo sempre a realidade.

O factor replay neste jogo é bom, mas pois ainda levará uma bom tempinho até bater os tempos dos Time Trials e Speedruns. Não é nada fácil, e são mais frustrantes que divertidas, mas é um bom entretenimento para quem gostar do jogo e acabar a história depressa. Existem também mochilas para coleccionar e quando é assim o tempo despendido no jogo acaba por aumentar bem. Além de tudo, existem troféus para desbloquear e a platina de Mirror’s Edge faz-se bem. No final de contas Mirror’s Edge é um bom jogo que mesmo com grande espaço para melhorias é bastante original, fresco, divertido e aconselhável a qualquer fã de jogos de aventura ou plataformas.

2 Respostas to “Mirror’s Edge (PS3)”

  1. Tiago Daniel Moreira Santos said

    Um jogo muito entretido de se jogar. Definitivamente fixolas.

    Saudações de Valongo.

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