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Grand Theft Auto IV (PS3)

Posted by César Costa em 18/09/2010

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Género: Sandbox

Editora: Rockstar North

Distribuidora: Take-Two Interactive

Plataforma: PS3

Data de Lançamento: 29 de Abril de 2008

Alguém que tenha jogado recentemente um GTA, e que tenha uma vaga ideia de como é o jogo, ficará bastante agradado com este título. No entanto, alguém que, como eu, tenha passado os últimos anos a jogar, durante boas horas, episódio da série, apanhará um belo choque. Primeiro, estamos perante um jogo totalmente diferente. Longe vão os tempos em que se ligava a consola à espera de um par de horas de pura diversão, tiroteios desenfreados, atropelamentos hilariantes, bailes à bófia, e missões imaginativas… Agora, parte disso ficou. A premissa é a mesma. Controlamos um criminoso, com um passado obscuro, que se vê “forçado” a trabalhar para mafiosos de primeira água para ganhar dinheiro, quando pensava que iria fazer uma nova vida, tranquila e bem sucedida. Tudo por uma boa causa.

O jogo é lento a arrancar (e não me refiro ao longo loading de início), e as primeiras missões podem-se resumir a levar alguém de A a B. Felizmente, o grande enredo (qualidade da praxe em GTA) começa a desenvolver pouco depois das primeiras 3 horinhas de jogo, mais ou menos. As missões em geral, no entanto, não são assim tão interessantes como em GTAs anteriores, and that sucks… Claro, há missões dignas de GTA, como o assalto ao banco, ou seguir o comboio pela cidade. Sim, reedições de antigas tarefas já pedidas em anteriores capítulos da saga, mas é sempre bom fazer este tipo de missões quando o resto do jogo se resume a perseguições de automóvel. Não precisavam de levar o título do jogo tanto a sério, Rockstar! Ainda assim, missões são missões, e acaba-se por fazê-las e tirar algum prazer disso…

Graficamente está muito bom, mas podia estar melhor. Conseguem ser brilhantes em certos aspectos e uma cáca noutros. Por exemplo, nenhum outro jogo conseguiu uma água tão realista como GTA IV, e sobrevoar os rios de Liberty City, ao pôr do Sol, com um Heli qualquer, é simplesmente lindo. O mapa é excelentemente caracterizado, e Liberty City é uma soberba rendição de Nove Iorque moderna. Já o borrado dos gráficos por vezes é que parece mal… parecem bastante desfocados, o que não faz de todo jus ao esplendor do HD. As árvores e arbustos são do mais básico que a PS2 podia fazer, por exemplo. Sim, a dimensão grande do mapa requereu alguns sacrifícios, mas não creio que isso seja totalmente desculpável com esse argumento…

https://i2.wp.com/lineinfoanchieta.net84.net/imagens/games/GtA4/gta4_3.jpgEm termos de jogabilidade, há aspectos bons e maus. O sistema de tiroteio é bastante bom e funcional, apesar dos erros que apresenta por vezes, sobretudo a nível da cobertura. Pessoalmente adoro o sistema de pontaria aos inimigos. Colocar um disparo na cabeça é altamente gratificante. Os detalhes e pequenas coisas incluídas são do melhor. O telemóvel que possuímos (ferramenta fulcral para o desenrolar do jogo), os táxis, a internet, as rádios, os joguinhos e mais joguinhos que podemos escolher para levar os nossos amigos a sair, os encontros e saídas, é verdade!… Tudo isso funciona bem.

Mas funcionariam melhor se tivessem mais interesse e motivação. A exploração já não vale tanto a pena como em episódios anteriores da série. Antes podia-se andar na galhofa, andar aos tiros, atropelar pobres inocentes, explodir m***as com mísseis ou granadas, só para ver a beleza de corpos a voar e pessoas em pânico. Agora? Há polícias em cada esquina, incrivelmente difíceis de despistar, as estradas parecem de manteiga pois os carros são um pouquinho difíceis a mais de manobrar, a polícia vem atrás de nós se dermos um encontrão a um agente por engano, ou se dermos um arroto a uma velhota (hipérbole, claro) ou algo do género… Estamos em Liberty City, mas a liberdade que temos é pouca… Além disso, os controlos são algo perros, e a mobilidade de Niko é reduzida por vezes. Supostamente andou na tropa, não teria um pouco mais de genica?  Queremos chamar um táxi que está em andamento e Niko pára de propósito para guardar a arma. Quando queremos voltar a correr atrás do táxi ele já vai longe… Por vezes estamos a meio de um tiroteio, queremos cobrirmo-nos rapidamente e Niko atrapalha-se todo… Se estivermos perto de um inimigo então… Niko demora meia hora a sacar da arma e perdemos metade da vida nesse espaço de tempo. A física é bastante boa, mas é altamente frustrante Niko cair estatelado no chão por levar um toque ligeiro de um carro como se este lhe tivesse passado a ferro a alta velocidade. O jogo está mais realista, mas com isso… tornou-se menos divertido. É lindo fazermos isso aos peões, mas é irritante tentar atravessar uma rua: geralmente os automobilistas cagam em nós e levamos grande panada, tirando-nos grande parte da vida, quando não toda.

As vezes parece que todo o jogo está contra nós: saímos de casa, vamos a atravessar a rua, levamos grande troçada. Depois levantamo-nos, furiosos com o motorista do carro, e damos um tiro nos cornos ao tipo. Lá vêm logo umas 3 estrelas de polícia contra nós. Andamos por metade do mapa de Liberty City a fugir à polícia, que está em todo lado, até que nos despistamos, o carro começa a arder, e somos obrigados a fugir a pé. O primeiro objectivo instintivo é arranjar um carro. Qual carro? Quando estamos a ser perseguidos pela polícia, os carros simplesmente desaparecem das ruas… Então corremos por onde podemos, já com um tracinho de vida que mal se vê, a tentar arranjar alguma coisa que nos safe. No entanto reparamos que já estamos fora da zona de alcance da bófia, e descansamos de alívio. Como estamos safos começam a vir carros do nada, tentamos andar ali às voltas para procurar um táxi para ir embora dali e levamos um toquezinho pequenino de um carro… mas morremos. Tentar fazer troféus do tipo “explodir 10 carros em 10 segundos”, ou “Dar 5 voltas com um carro no ar” podem ser incrivelmente frustrantes por causa de uma cidade que se põe toda contra nós quando supostamente agimos mal. Até dar um tiro num pombo dá polícia!

San Andreas tinha um mapa maior, mas curiosamente, era mais fácil aproveitá-lo. Não estou a ver muita gente perder tempo com m***inhas tipo matar uma data de pombos espalhados por Liberty City… San Andreas e Vice City geralmente ofereciam passatempos, pequenas coisas para o jogador se entreter depois da história que não se limitavam a missões propriamente ditas. É verdade que há missões secundárias (muito mais que em jogos anteriores, aliás) que se interligam com o enredo, e a ideia é muito boa. Mas a simples exploração que em jogos anteriores era um grande trunfo, agora não é tão recompensadora nem divertida. O mais provável é estarem a jogar o próximo GTA sem sequer conhecerem o mapa deste por completo. Felizmente a campanha é bastante longa, embora não pareça.

As escolhas morais durante a trama são uma grande ideia. Não afectam os 100%, o que é bom, mas por outro lado, também não afectam o desenrolar da história por aí além. Ainda assim, é impagável estar a frente de Vlad, cheio de vontade de lhe arrebentar os miolos, e vê-lo ali a falar, tão vulnerável… A um L1 de distância da morte.

O online é interessante, divertido, e até dispõe de vários modos e missões para fazermos com amigos, mas não é nada assim de especial que faça perder muitas horas. Além disso, na versão PS3, vários troféus relacionados com o multiplayer estão bugados, e basicamente apenas lunáticos de GTA 4 têm a platina deste. Os troféus são de dificuldade bem elevada, e muitos deles ou são entediantes de completar, ou são tao intimidantes que só alguns se atrevem a tentar.

Sonoramente, o jogo volta a trazer uma boa banda sonora, e apesar de conter menos nomes sonantes desta vez, a qualidade mantém-se , e há música para todos os gostos. Voltam as talk-radios, novamente com mais humor, sátira e ironia americana, que tanto animam as viagens de Grand Theft Auto, como sempre fizeram.

https://i1.wp.com/media.gtanet.com/images/3910_gta_iv.jpg

A escolha final do enredo é difícil, e vale mesmo a pena refazer o jogo tomando decisões diferentes. Nem que seja para ver o quão diferente seria a trama se tomássemos caminhos alternativos. E nem que seja até para apreciar as soberbas cutscenes, de fazer inveja a qualquer filme de Hollywood… Voltam a aparecer personagens carismáticas, como o mudado Bernie Crane, ex Florian Kravic, que Niko tanto persegue, Vlad, o gatuno low-life de Broker, Dimitri, o vilão imediatamente detestável, Little Jacob, o jamaicano que fala gibberish, e claro, Niko Bellic, o nosso herói soviético, que durante o jogo sai-se com grandes tiradas do género “You mother. She likes it up in the ass!”, usando o seu sotaque russo tão peculiar.

Em termos de longevidade, por fim, o jogo é capaz de levar umas 40 horas, se jogado com calma, mas para além da história ainda há muita coisa para fazer. A longevidade é um dos trunfos deste GTA IV, quer seja pelas missões secundárias, pelos mini-jogos, quer pelas 2 expansões (que ao fim ao cabo fazem parte do jogo). Contudo, há muita cidade para explorar e pouca motivação para fazê-lo por si só. Mas há quem encontre diversão em saltar de arranha-céus abaixo e ver Niko cair desamparado no chão… xD

Grand Theft Auto IV marca o ponto de viragem na série, é a altura em que GTA deixou de ser um jogo acima de tudo cómico e divertido, para ser um sandbox realista, ainda que por vezes desajeitado. É um grande jogo para esta geração mas falha por si só quando pensamos o quão melhor ele poderia ter sido, já que havia espaço para alguns melhoramentos, principalmente a nível da movimentação do jogador, da jogabilidade em geral, e do importantíssimo factor diversão. Se compararem este GTA a Vice City ou San Andreas, sentirão um vaziozinho… Consegue ser um jogo fenomenal na maioria das vezes, tem os seus grandes momentos, mas também há casos em que parece que todo o jogo está contra nós graças a erros de jogabilidade infantis, que sozinhos são facilmente ignoráveis, mas que geralmente nunca vêm sós, e podem tornar as coisas frustrantes.  Ainda assim, todos estes defeitos evitáveis do jogo caem no esquecimento à luz de todas as inovações interessantes que foram introduzidas neste novo capítulo, desde a forma convincente como todos os cidadãos de Liberty City se comportam até à magnífica “invenção” do telemóvel. É um grande título que mesmo não merecendo as notas perfeitas que recebeu, fãs de GTA como eu não devem perder.

Uma resposta to “Grand Theft Auto IV (PS3)”

  1. Tiago Daniel Moreira Santos said

    O que posso dizer é que este GTA IV não me cativou muito. Prefiro GTA San Andreas e GTA Vice City.

    Saudações de Valongo.

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