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“Coming Up”, Suede [1996]

Posted by César Costa em 07/08/2010

http://2.bp.blogspot.com/_Qw0LNT3jkiU/S7FFQmXI0gI/AAAAAAAAANs/OoWZTJrY6t0/s1600/Suede+(Coming+Up+-+Front).jpgData de lançamento: 2 de Setembro de 1996

Género: BritPop

Duração: 42 min.

Gravadora: Nude

Produtor: Ed Buller

Por esta altura, a guerra do BritPop era entre Oasis e Blur. Supostamente eram as bandas com mais sucesso por estes tempos, e embora os Suede estivessem no seu pico de forma, os quase 2 anos passados entre Dog Man Star e Coming Up fizeram com que o público se preocupasse com outros sons. Mas enquanto Blur e Oasis se preocupavam mais em batalhar entre si, a ver quem ficava melhor na capa das revistas, eis que surge Coming Up. Este era o bilhete dos Suede de ida para o estrelato, lugar onde deveriam ter estado desde o primeiro álbum.

E quando digo “estrelato” falo de um reconhecimento não nacional (que sempre detiveram) mas sim internacional. Foi com Coming Up que os Suede chegaram a uma audiência muito maior, chegaram ao resto da Europa e Ásia, e conseguiram até algum sucesso na América. Até em Portugal se começou a falar mais nos Suede, e quase a nível diário singles como “Trash” ou “Saturday Night” passavam na rádio fazendo com que mesmo hoje as músicas sejam relembradas.

Brett Anderson queria um álbum pop e conseguiu. 10 músicas simples e boas. Longe vão as melodias pesadas e a sonoridade negra. Agora são canções de amor, de sátira, e celebração. Se compararmos Suede com David Bowie, digamos que esta era a sua era “Ziggy Stardust”, onde o ‘glam’, a voz nasal, e a androginia era predominantes.

E se com Dog Man Star a fasquia ficou elevadíssima, e a saída de Bernard Butler deixou dúvidas, o lançamento de Coming Up matou dois coelhos de uma vez só, não só conseguindo fazer um álbum tão bom ou melhor que Dog Man Star, como provando ao mundo que os Suede se dão bem sem Bernard Butler. Richard Oakes, o seu substituto, cobre bem o buraco deixado pelo ex-guitarista, o que se vê pela quantidade de músicas (boas músicas) que escreveu com Anderson.

A começar pela faixa de abertura, “Trash”. Talvez a melhor música da carreira da banda, é um hino aos ‘outsiders’, às pessoas diferentes, que o são e não se envergonham disso. É um hino à própria banda, aos fãs, e aos valores que defendem, que representam. É uma música para todos cantarem ao ouvi-la, para os karaokes, para os grandes públicos nos concertos. É para “os apaixonados na rua”, para quem usa “pulseiras sem gosto”, ou usa o “cabelo pintado” como Brett Anderson gloriosamente canta na letra. O refrão é dos melhores de sempre, onde “Traaash” simplesmente ecoa no ouvido, e o ritmo se entranha no corpo. É simples, fica na memória e é brilhante.

“Filmstar”, “Beautiful Ones” e “She” podem ser vistas como verdadeiras caricaturas à obsessão pelas celebridades. Em “Beautiful Ones” quase que dá para cheirar a sátira com que Brett canta “Here they come, the beautiful ones, the beautiful ones, la la la la”, com aquela vozinha nasal como tudo, tão memorável, tão épica, esquisita por vezes, mas que sempre fica bem. “By The Sea” é uma balada tocante sobre “começar uma nova vida” “tentando arduamente não tocar no chão”. Um dos pontos altos do disco. Já “Lazy”, uma típica faixa rock, retrata o espírito descontraído da juventude, usando uma boa faixa de guitarra, um refrão memorável, e um ritmo bem acessível.

“She” e “Starcrazy” são na minha opinião as faixas que se encontram um pouquinho abaixo do resto do álbum, mas que mesmo assim conseguem ser boas o suficiente para não se passar à frente. “Starcrazy” fala de uma rapariga que “não quer educação”, como diz o refrão, e para mim é uma das provas de que Richard Oakes chega por vezes a superar Bernard Butler na guitarra. Basta ouvir a guitarra de início ao fim da música para perceber do que falo…

“Picnic By The Motorway” é mais uma balada que mais à frente passa a ser guiada pelo teclado de Neil Codling (o novo membro da banda que até agora me esqueci de mencionar), que aparece em grande plano neste tema. O falsetto encantador de Brett, a guitarra tímida que vai perdendo a vergonha à medida que a faixa avança, e claro, infantilidade do som do teclado de Neil conseguem criar uma música de topo, que constitui o grande momento do disco, ao lado de… “The Chemistry Between Us” e “Saturday Night”, as duas últimas faixas do álbum.

“The Chemistry Between Us” é uma absoluta obra prima, onde a junção do violino com a guitarra e o teclado levam a música para outro patamar. Na letra, Brett pergunta-se: “Class A, Class B [drogas]… é esta a única química entre nós?”… A segunda metade do tema é simplesmente divinal, e a verdade é que é impossível não haver química entre o ouvinte e a música.

Por fim, o disco fecha com “Saturday Night”, uma das músicas mais conhecidas dos Suede por estas bandas. É uma balada final, que é costume cantar-se quando passa na rádio e tal… Quem ouvia música pop por esta altura, reconhecerá decerto este tema… Fala da alegria que é saber que depois do trabalho, o pessoal vai todo sair a noite, esquecer os problemas da vida, “beber”, “fazer baboseira”, “rir”, e que no fim “tudo estará bem, como toda a gente diz”… Tudo isto ao som do belo riff que prossegue até ao fim da faixa. Encantador.

Coming Up é 90’s no seu melhor. É rock bem acessível, pop, para dançar, ouvir antes de ir sair à noite, ou simplesmente para celebrar a vida e a juventude. Coming Up é isso tudo…

1. Trash 4:06
2. Filmstar 3:25
3. Lazy 3:19
4. “By the Sea” 4:15
5. “She” 3:38
6. Beautiful Ones 3:50
7. “Starcrazy” 3:33
8. “Picnic by the Motorway” 4:45
9. “The Chemistry Between Us” 7:04
10. Saturday Night 4:32

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