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“Ok Computer”, Radiohead [1997]

Posted by César Costa em 29/05/2010

https://i2.wp.com/upload.wikimedia.org/wikipedia/en/a/a1/Radiohead.okcomputer.albumart.jpgData de lançamento: 16 de Junho de 1997

Género: Alternative Rock

Duração: 53 min.

Gravadora: Parlophone, Capitol

Produtores: Nigel Godrich; Radiohead

OK Computer, para quem não sabe, é daqueles discos que aparecem sempre nas listas de melhores álbuns de sempre. A verdade é que merece bem esse tipo de reconhecimento, pois é um dos melhores álbuns da década de 90.

Os Radiohead recusam considerá-lo um álbum conceptual, mas há difinitivamente uma mensagem deixada por OK Computer, e é possível identificar um padrão nos temas das músicas, o que é sempre bom num disco.

OC é um pouco depressivo liricamente, mas isso é parte da graça do álbum. Fala de alienação, da deterioração da sociedade, e alguns outros assuntos que de uma maneira ou de outra tentam sensibilizar o ouvinte. É algo difícil de ouvir e gostar, e diria mesmo que OC é daqueles álbuns que se odeia ou se adora. À primeira vista pode parecer apenas uma data de canções mais ou menos interventivas, mas a partir de uma altura o disco abre-se completamente, e leva o ouvinte para um nível bastante acima. Só algumas faixas vão voltar a tocar vezes e vezes sem conta, como é o caso de “Karma Police”, “Paranoid Android”, “No Surprises” (os singles) e “Let Down”, mas OC não é apenas um apanhado de temas, é um álbum coeso, que vive como um todo.

Duvido que alguém queira repetir “Fitter Happier” tantas vezes como isso, mas também duvido que haja alguém a passá-la à frente se estiver a ouvir o álbum inteiro. Yorke descreve-a como “uma lista de slogans para os anos 90”, e a verdade é que o tom quase de caricatura do tema é uma prova disso. Os Radiohead não gostam definitivamente da sociedade de hoje em dia, mas no entanto parecem acreditar que dias melhores virão. “Exit Music”, tema final da versão de 96 de “Romeo e Julieta”, é muito forte, mas também não me parece muito acessível ou apelativa a uma ‘ouvidela’ rápida.

No meio disto tudo, está uma álbum fortíssimo, que apesar de não ser perfeito, não deixa de ser extraordinário. “Let Down” é a melhor música do disco: a repetição do refrão até ao final da faixa e os emotivos vocais de Yorke são o grande truque do tema, e quando os instrumentos acompanham a música de forma intensa, nada pode correr mal… “Karma Police” são quase 2 músicas diferentes: ouve-se o som característico da banda, mas de vez em quando lá é interrompido por uma secção em piano ao estilo dos Queen ou dos Beatles. E a segunda metade do tema é alguma coisa…

“Subterranean Homesick Alien” é grande. Tem uma boa letra, não destoa do resto do álbum, o refrão ecoa a pacotes, tem toques de maestria do início ao fim, e a produção da faixa é simplesmente fantástica. Já “Paranoid Android” é ridícula. É uma galhofa de guitarras a berrar para ali, uma completa mixórdia  de sons diferentes, e parece não ter sentido nenhum. Mas no final, e depois de se ouvir várias vezes, a música passa de ridícula a ridiculamente boa.

A partir do fim de “Fittter Happier” o disco muda radicalmente. Acabam-se os slogans e de repente vem uma faixa rock bem mexida. O solo do fim é magnifico, e a bateria que o acompanha é mesmo violenta, só para acabar em grande. “Climbing Up The Walls” parece um uivar. Começa mesmo escura, depressiva, e evolui para uma parede de som em que tudo é misturado; Thom Yorke começa a berrar que nem um desgraçado, a tensão sobe imenso, e o resultado é um dos pontos altos de OK Computer. A violenta faixa acaba com um som esquisito acompanhado por um piano. Que épico…

Num contraste completo, “No Surprises” é um tema cheio de graça, com uma melodia toda catita, e basicamente Yorke parece estar a cantar uma música de embalar. Mas como quase todas as faixas de OC, acaba por se tornar num coro de vocais sobrepostos que ficam sempre bem. Muito bem mesmo… Depois disso o álbum encerra com 2 faixas boas, e embora pareçam bem indicadas para o fazer, não se pode dizer que se destacam do resto do conjunto.

OK Computer é talvez um dos melhores álbuns de sempre, e um dos melhores da década de 90 sem dúvida alguma. É quase perfeito, como um todo funciona lindamente, e é uma grande experiência sonora que qualquer apreciador de música deveria viver.

  1. “Airbag” – 4:44
  2. Paranoid Android” – 6:23
  3. “Subterranean Homesick Alien” – 4:27
  4. Exit Music (For a Film)” – 4:24
  5. “Let Down” – 4:59
  6. Karma Police” – 4:21
  7. “Fitter Happier” – 1:57
  8. “Electioneering” – 3:50
  9. “Climbing Up the Walls” – 4:45
  10. No Surprises” – 3:48
  11. “Lucky” – 4:19
  12. “The Tourist” – 5:24

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Uma resposta to ““Ok Computer”, Radiohead [1997]”

  1. Tiago Daniel Moreira Santos said

    Absolutamente de acordo.

    Saudações de Valongo.

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