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Se já é difícil fazer um apanhado dos melhores álbuns lançados num ano, ainda mais difícil é escolher as melhores músicas de entre tantas. E, igualmente, se já existem tantas opiniões divergentes em relação ao que de melhor foi feito em 2011 em termos de discos, então no que toca a músicas as escolhas são quase uma questão de gosto. Quase… Nunca se foge a certos parâmetros.
Mas este “quase” é suficientemente afastado da acuidade crítica que almejo para alertar que a lista de canções que se segue são meramente as que melhor pareceram ao The Warm Coffee. Por isso, e à falta de algumas outras que me sinto culpado por não incluir (aumentar mais a lista seria uma má decisão), aqui ficam as melhores faixas de 2011.
Adele – Set Fire to The Rain
Arctic Monkeys – The Hellcat Spangled Shalalala
Battles – Futura
Beyoncé – Love On Top
Blackfield – Glass House
Blackfield – Rising Of The Tide
Blackfield – Waving
Bon Iver – Perth
Brett Anderson – Crash About To Happen
Bright Eyes – Beginner’s Mind
British Sea Power – Once More Now
Coldplay – Don’t Let It Break You Heart
Elbow – The Birds
Florence + The Machine – Breaking Down
Florence + The Machine – Shake It Out
Foo Fighters – Walk
Foster The People – Call It What You Want
GIVERS – Up Up Up
Iron & Wine – Half Moon
Jamiroquai – Smile
Jessie J – Domino
Kasabian – La Fee Verte
Okkervil River – Lay Of The Last Survivor
Okkervil River – Wake And Be Fine
Owl City – Galaxies
PJ Harvey – In The Dark Places
R.E.M. – Everyday Is Yours To Win
Radiohead – Bloom
Radiohead – Lotus Flower
Social Distortion – California (Hustle And Flow)
St. Vincent – Surgeon
The Aquabats – The Legend Is True!
The Black Keys- Dead And Gone
The Black Keys – Little Black Submarines
The Boxer Rebellion – Both Sides Are Even
The Decemberists – Dear Avery
The Gift – The Singles
The Go! Team – Apollo Throwdown
The Go! Team – Voice Yr Choice
Thirteen Senses – Imagine Life
Ulver - Stone Angels
Wire – Red Barked Tree
“El Camino” é curto e grosso. O regresso desta banda que finalmente começa a ganhar notoriedade (ao fim de já uma década de carreira) é feito com um disco que consolida a recente popularidade e reconhecimento do grupo. 11 temas sempre sem parar com fortíssimas influências Glam, Blues e Soul, performances vocais excelentes e riffs memoráveis são alguns dos truques desde novo trabalho da banda americana.
A classe aqui empregue é notável. A mistura de Rock com Soul é simplesmente divinal: a guitarra Glam, os coros, as palmas constantes, pandeireta… Tudo isto junto combina na perfeição com as composições animadas dos Black Keys. A voz é também muito boa durante todo o disco. “Little Back Submarines” é um show de vibrato tal que se a música consistisse apenas na voz eu não me importaria… A faixa depois evolve para uma coisa 20 vezes mais roqueira, finalizando em alto estilaço aquilo que à partida já se prevê épico. Em “Run Right Back” temos outro momento T.Rex; quase oiço a voz de Marc Bolan… Lindo! E por falar em beleza, tenho de referir “Dead And Gone”, a faixa por que morri de amores logo de rajada. Rápida, animada, com todos os elementos que compõem o som The Black Keys, e, no fundo, com a soma de todos os ingredientes que resultam neste disco.
O resto do disco pode não chegar exactamente às faixas anteriormente citadas mas à medida que a tracklist avança vamos reparando que o álbum nunca pára nem nunca varia muito na qualidade e isso contribui para um equilíbrio e uma consistência que é raro termos com 11 aspirantes a singles sem aparente ligação entre eles. Cada tema tem a sua melodia bem definida, e o melhor da coisa é que são quase todas memoráveis: “Dead And Gone”, “Sister”, “Stop Stop”, “Nova Baby”, “Gold On The Ceiling”… são tudo exemplos disso. O término poderia ser melhor mas o resultado final é bem positivo. “El Camino” vai crescendo com o tempo e isso muito bom. Recomendado aos fãs de cena alternativa.
Boa ideia a de colocar as letras todas do álbum… na capa. Dá para ter uma ideia do conteúdo, sim senhor… Mas nada disso importa. Ou melhor, importa. Apenas não tanto quanto aquilo que ouvimos. Felizmente o que ouvimos não é nada mau e o que encontramos aqui é um disco para aqueles mais sensíveis. Aquelas pessoas que gostam de ouvir um álbum e se relaccionar com ele.
“Father, Son, Holy Ghost” é um álbum de qualidade que pode prender os mais famintos por um álbum com algum significado. Não que esteja aqui alguma maravilha lírica, as letras são bem simples, e a música em si não é nada do outro mundo, mas é algo que vale a pena ter em conta e é uma adição bem-vinda à colecção de discos de qualquer aficionado de música. A estrutura do álbum é bem random. O que aqui até nem funciona muito mal, já que as faixas são bem distintas umas das outras. Encontramos influências que vão desde os Beach Boys aos Pink Floyd… O que sustenta o disco é a qualidade de cada uma das faixas e o facto de cada uma ter um estado de espírito associado. E estes vão variando constantemente. Mesmo assim, a banda soube colocar as faixas numa ordem “sonoramente” correcta e nada aqui soa fora do sítio.
Começamos bem alegres com “Honey Bunny” mas mais tarde esbarramos com “Vomit”, uma faixa bem depressiva. Variedade é sempre bem-vinda, ainda para mais quando com ela vem qualidade anexada. As composições são esquisitas e pormenorizadas em algumas das músicas, o que compensa a simplicidade das letras. Não vão encontrar aqui nada de extraordinário, e as últimas duas (medíocres) faixas estragam o ‘momentum’ do álbum, mas pelo menos “Die”, “Vomit” e “Just A Song” são dignas de menção, e espalhadas pela obra andam melodias e motivos que vão cair no goto.
Se gostarem de Rock mais Indie, daquele que vos faz lembrar bandas antigas sem deixar de ter um som original, experimentem.
Um disco com classe, melodia e qualidade. Que mais se pode pedir? É um disco fantástico e temas como “The Valley”, “Piratess”, “Lay Of The Last Survivor”, “Your Past Life As A Blast”, “Wake up And Be Fine”e “The Rise” fazem “I Am Very Far” distinguir-se de tantos outros. Um cheiro a Folk e uma grande predisposição para bonitas e grandiosas composições são o grande truque dos Okkervil River para este disco. É que é tudo à grande aqui… A banda soube exactamente onde colocar cada faixa para proporcionar a melhor experiência possível e o seu seguimento tem uma lógica sonora. Além disso, a violência de algumas faixas conjugada com a beleza melódica de outras conduz ao brilhante equilíbrio que é grande parte do charme do álbum. Dando exemplos, após a brutalidade em estilo “revolucionário” de “We Need A Myth” sabe muito bem um tema mais calmo como “Hanging From A Hit” (que faz um uso tremendo do trompete), e logo após a intensa “Wake And Be Fine”, “The Rise” serve como um ‘outro’ desta faixa, em termos sonoros.
Recomendo vivamente aos fãs de Indie Rock, a sua coesão e regularidade aliados à qualidade natural dos temas aqui propostos podem prender muita gente. Um dos melhores álbuns de 2011 até agora..
A banda dos singles que quer ser a banda dos álbuns volta a atacar com “Infectious Affectional”. E pode-se dizer que desta vez conseguiram finalmente lançar um álbum. “Keep On Dancing” é um grande single tipicamente X-Wife e ficará como mais um hit da banda para a posteridade. “Stay In” e “White Shoes”, no entanto, são outros 2 grandes destaques num álbum que apesar de tudo não deixa de ser regular, algo inédito na discografia da banda, diga-se.
Não arrebentará com nada, aliás, é um álbum bem simples, mas que inclui o bom Rock electrónico que a banda sempre procurou fazer, desta vez num pack de temas mais coeso e nivelado. É estiloso, divertido e dançável (como já á habitual dos X-Wife). Fãs do Rock português devem experimentar e aficionados de Franz Ferdinand também.
Uma selecção mais variada e contrastante que nunca, o melhor de Abril tanto contém verdadeiras pérolas Pop, acessíveis e imediatas, como temas alternativos a não perder. Apenas um reparo: as canções incluídas de Blackfield e The Gift, embora tenham sido lançadas em Março, ficam elegíveis para a selecção deste mês. No primeiro caso porque o álbum “Welcome To My DNA” dos Blackfield até só chegou a alguns territórios durante o mês de Abril e no segundo caso, o dos The Gift, porque só recentemente o disco “Explode” ganhou notoriedade e achei que merecia ser mencionado neste ‘best of’.
A ordem pela qual as faixas aparecem aqui não é randómica e apesar de, como sempre, não haver uma ligação entre elas tentei manter uma certa relação sonora entre faixas até ao fim da compilação.
Com todos os reparos feitos apenas me resta esperar que gostem da selecção deste mês. Faltam aqui alguns nomes que lançaram trabalhos este mês, como o caso dos Glasvegas e de Panda Bear, mas estas músicas são realmente as que mais merecem estar aqui. Não obstante, os álbuns referidos, entre outros, serão postados aqui nos próximos 2 ou 3 dias de forma a regularizar as reviews do mês de Abril.
Paul Simon – “Getting Ready For Christmas Day”
Lenka – “Heart Skips A Beat”
Katy B – “Why You Always Here”
Katy B – “Movement”
Ulver – “February MMX
The Gift – “RGB”
Blackfield – “Glass House”
Blackfield – “Zigota”
TV On The Radio – “Secong Song”
Low – “Witches”
Paul Simon – “Rewrite”
Blackfield – “Waving”
The Gift – “The Singles”
Lenka – “Sad Song”
Mýa – “Alive”
TV On The Radio – “Repetition”
Foo fighters – “Walk”
Blackfield – “Rising Of The Tide”
Hauschka – “Ping”
Ulver – “Stone Angels”
Katy B – “Hard To Get” (contém “Water” como faixa escondida no fim)
Os já respeitados TV On The Radio ganham mais notoriedade, finalmente, com o lançamento deste “Nine Types Of Light” e apesar de serem uma banda que é merecedora dessa atenção este novo álbum não é uma maravilha da natureza. Mas também não é uma pedra no sapato, tenham lá calma…
A primeira faixa promete imeeeeeeeenso… O toque requintado do refrão deixa-nos antever uma obra-prima, estatuto que o álbum nunca chega a atingir, apenas dá umas indicações disso em “Repetition” e “Caffeinated Consciousness”… Esses são realmente os pontos fortes do disco, onde a banda consegue, através da sua mentalidade algo Art-Rock, criar pequenos momentos de magia. A faixa de encerramento, uma das melhores como já disse, parece mesmo fora do sítio, no entanto: um tema tão Pop não deveria estar no início? Ainda assim lá vai servindo para acabar com o disco. Sempre se acaba na mó de cima. Os tais momentos mágicos são quase sugados pelo resto das músicas, uma série de canções meramente boas, o que é pena… É satisfatório mas são esses temas que impedem este novo disco de estar num patamar acima.
A cena alternativa ganha aqui mais um bom álbum mas talvez este “Nine Types Of Light” sirva para o público ter a curiosidade de espreitar o restante catálogo da banda. Esse vale mais a pena.
Género: Indie Rock, Alternative Rock, Electro Rock, Synthpop
Duração: 62 min.
Editora: La Folie Records
Produção: The Gift
O novo disco dos The Gift vem preparado para a internacionalização. Não que já não a tenham atingido, ela já foi feita ainda que à pequena escala, mas desta vez a banda portuguesa quer mesmo fazê-lo em grande. O som mais electrónico é a prova disso e as influências dos MGMT são também notórias. Isso não é nada mau, bem pelo contrário, já que o grupo não esquece as origens e não deixa de introduzir em “Explode” temas tipicamente The Gift.
Para lá da repetição aparentemente abusiva da primeira faixa ouvimos um certo crescendo que cai muito bem logo no início, a sobreposição de vocais é o grande truque de “Let It Be By Me” e a melodia da faixa em si é bem conseguida. É em “Made For You” que começamos a notar um travo internacional que logo nos apercebemos que vai perdurar até ao fim do disco.
Depois chega o tal single, “RGB”, que diga-se, é das melhores músicas de “Explode”. As parecenças com MGMT podem ser gritantes mas isso não nos devia as atenções do festival de melodia que por ali se passa. A parte final da música é particularmente genial… Para começar a acalmia aparece “Mermaid Song”, que é onde o grupo luso realmente entra pela Electronica adentro e com resultados bem positivos. “The Singles” é a irónica (ou não) faixa do disco e é, já agora, outra grande pérola. Não é por eu adorar músicas grandes, a composição é muito boa e nunca aborrece, algo que é importantíssimo se se quer fazer um tema de 12 minutos. As partes menos mexidas são de ouro e quando os The Gift nos acordam também somos presenteados com bons momentos de música.
A maior prova de momentâneo “regresso às origens” é “Primavera”. O estilo é claramente Gift e a natural predisposição de Sónia Tavares para sentir o que canta faz toda a diferença. A que se segue, “Aquatica”, também constitui um sucesso.
Se as faixas que se seguem não são tão memoráveis elas são certamente tão boas como as primeiras 7. “My Sun” é uma genérica música Synthpop, com mais cheiro a MGMT e “Suit Full Of Colours” é mais do que ouvimos em “Aquatica” (o que não é mau de todo) mas com um final bem mais forte. O disco encerra com “Race Is Long” e “Always Better If You Wait For The Sunrise”, duas faixas perfeitas para encerrar um disco tão bem feito. As contas finais são mais que positivas e o resultado é um dos melhores discos do ano até agora. Poderão não conseguir o reconhecimento internacional que anseiam com este álbum mas já começam a merecê-lo à séria…
Devo dizer, o mês de Março foi um pouco p’ró fraquito em termos de qualidade dos álbuns. Felizmente isso não impossibilita uma boa selecção de músicas, que é exactamente o que eu trago este mês. E não me perguntem porque é que 99% das faixas são de artistas Indie Rock. Calhou…
R.E.M. – “Alligator_Aviator_Autopilot_Antimatter”
Eisley – “The Valley”
Elbow – “High Ideals”
Erland & The Carnival – “Map Of An Englishman”
Erland & The Carnival – “Springtime”
R.E.M. – “Every Day Is Yours To Win”
The Rural Alberta Advantage – “Two Lovers”
The Vaccines – “Norgaard”
The Strokes – “Machu Picchu”
The Rural Alberta Advantage – “Under The Knife”
R.E.M. – “Oh My Heart”
Eisley – “Oxygen Mask”
Panic! At The Disco – “Nearly Witches (Ever Since We Met…)”
Hoje, dia 27 de Março, foi lançado um single dos Feeder cujos fundos gerados irão inteiramente para a cruz vermelha, de forma a ajudar o povo nipónico nesta altura de maior dificuldade.
“Hello
As you know we have incredibly close ties to Japan and have been utterly shocked and saddened by the recent events.
We have decided to release a new single called Side By Side and donate all profits to the Red Cross to help the work they are doing in the beleaguered northern regions of Japan.
O single “Side By Side” já se encontra à venda por £79, uma pechincha, lá está, e não só é uma música muito boa como é também uma ajuda para quem mais precisa neste momento. Sejam solidários e contribuam
Bem, não esperava muito dos Vaccines e foi mesmo isso que tive: não muito. O cheirinho a Pulp agrada-me, a frontalidade das letras de algumas faixas e os “dramas de classe média” aqui representados são exemplos dessa influência. O conjunto não é nada por aí além nem as canções em si, que se limitam a serem satisfatórias. Pode ser o suficiente para tornar este disco num trabalho razoável mas não merece metade do “hype” que está a receber.
Não é um álbum fácil. A voz por vezes irritante do vocalista e a sonoridade Indie Folk podem afastar alguns logo no início mas se ficarem por mais um pouco e ouvirem com atenção deixar-se-ão seduzir pelas boas composições e pela boa produção. Parabéns também pelo delicioso som da bateria, está mesmo muito boa nalgumas faixas.
“Under The Knife”, “Two Lovers” e “Tornado ‘87” são os destaques deste álbum razoável mas títulos como “Coolest Days” e “Good Night”, esta última mesmo a fechar o álbum (e de uma bela forma, diga-se), também são outros pontos de interesse. Imaginem os Coldplay no seu início de carreira mas com um sabor a Folk… aí têm os Rural Alberta Advantage. Experimentem, Indies…
Disco com graça, “The Valley” pouco mais faz do que oferecer um set de canções bem razoáveis que nada de extraordinário têm. Porém, a regularidade e o som regular e coeso aqui presentes fazer a diferença. Os vocais estão bonitos, as melodias bem conseguidas e o som Indie, quer mais pop, quer mais rockeiro, dá outro charme à música da banda. Vários refrões ficarão na cabeça por um tempo e a acessibilidade do álbum é outro ponto forte. Não me lembro de muitos grupos com um som semelhante, embora tudo soe mais ou menos familiar e nos aponte para uma série de influências bem variadas aqui e ali.
Os veteranos e bem conhecidos R.E.M estão mais frescos, e ao mesmo tempo familiares, que nunca. O som do álbum não é nada de inovador por aí além mas “Collapse Into Now” contém surpresas suficientes para manter os maiores fãs da banda interessados.
O som Folk aliado ao alternativo ainda continua aqui e isso ajuda a que reconheçamos logo que estamos perante um álbum dos R.E.M. Existem aqui canções que evocam mesmo êxitos passados da banda, como “Überlin”, ou a lindíssima “Oh My Heart”, que faz óptimo uso do Bandolim. Já temas como “All The Best” e “Alligator_Aviator_Autopilot_Antimatter”, apesar de não totalmente novas, contém momentos interessantemente frescos e são, já agora, os momentos mais rockeiros do álbum. Os R.E.M. mostram, mais que nunca, serem uma banda madura: com um som estabelecido há anos revelam que ainda têm muitos truques na manga para manter as coisas interessantes.
Ainda assim, penso que são ainda os típicos temas R.E.M que fazem de “Collapse Into Now” o bom disco que é. “Everyday Is Yours To Win” é uma encantadora balada tipicamente indie, com um riff de guitarra que mais parece uma melodia de embalar, “Mine Smell Like Honey” é aquele single próprio para a rádio, cheio de energia e com um refrão forte, e “Oh My Heart” é a genérica canção R.E.M. no seu melhor.
Se algo poderia ter sido diferente neste álbum seria o final: um disco tão bom merecia um final melhorzinho… “Me, Marlon Brando, Marlon Brando And I” não é forte nem memorável quanto deveria ser e “Blue”, apesar de na sua essência ser um bom final (a parte falada de Michael Stipe está muito boa e os vocais de Patti Smith também), inclui mesmo no fim um excerto da primeira faixa, “Discoverer”, que sendo sincero, estraga um pouco as coisas. Não é o suficiente para nos afastar do álbum, claro, mas faz-nos ter pena das outras faixas, que mereciam um encerramento mais bem feito.
Mas evidentemente, como qualquer bom álbum que por aí ande, é altamente recomendável. É o melhor dos R.E.M. em vários aninhos e quer sejam ávidos fãs da banda ou apenas conheçam os seus hits, “Collapse Into Now” é um grande disco a experimentar…
Revestida de uma sonoridade electrónica e até um pouco Folk, a música de Lykke Li cedo despertou a atenção de apreciadores de música. É também 100% Indie, o que só lhe dá graça.
“Wounded Rhymes” não é nenhuma investida em solo desconhecido, aliás, é Lykke Li a fazer o que melhor sabe, temas Indie Rock com toques de Electronica e cheiro a Folk, um pouco à semelhança Florence + The Machine. O arrojo para criar músicas alternativas está aqui e elas são executadas com todo o rigor que exigem. Lykke Li tem toda a calma do mundo ao interpretar as canções mais sossegadas e nos exercícios mais Electro também faz um bom trabalho. E apesar de “Wounded Rhymes” estar atulhado de momentos como estes últimos onde Li brilha é mesmo nas faixas mais introspectivas. A artista consegue performances vocais deliciosas e juntamente com uma competência notável da parte de quem toca os instrumentos conseguem ser criados momentos de verdadeira intimidade entre a canção, e o que ela diz, e o ouvinte. Neste tipo de temas é exactamente isso que se pede.
O álbum vai correndo bem, tirando umas 2 faixas ali no meio que cortam um pouco o ‘momentum’ do mesmo, “Get Some” e “Rich Kids Blues”. É um bom bocado bem passado, contudo, seja pela diversidade de sons presente no álbum ou pela incrível capacidade de Li em sobressair. Não é perfeito mas pelos vários momentos interessantes que oferece é uma aposta ganha para fãs de música Indie.
Género: Indie Rock, Neo-psychedelia, Rock And Roll
Duração: 52 min.
Editora: Beady Eye Records
Produção: Steve Lillywhite
Quase a mesma banda, nome diferente, os Beady Eye são a versão mais “Liam” dos Oasis e de certa maneira é possível considerar este novo disco como um passo em frente. Pegando em influências da música dos anos 60 a banda cria um disco que em tudo relembra o catálogo dos Oasis e a era Britpop.
À primeira vista este set de canções poderá soar como uma lista de outtakes de álbuns dos Oasis, e sendo franco, muitas delas parecem mesmo. O som está practicamente inalterado em muitos dos temas e apesar de a banda ir mais atrás na história da música buscar influências não deixa de haver uma certa nostalgia neste som em relação aos Oasis. Mas se há algo que fica bem claro logo nos primeiros exercícios do álbum é que a ausência de Noel Gallagher é sentida mas não fatal. As composições são bem competentes e mostram que os Oasis não se resumiam a Noel exclusivamente.
Em temas como “The Roller”, “Kill For A Dream” e “The Beat Goes On” somos presentados com verdadeiras homenagens ao trabalho da banda dos anos 90 e, por outro lado, “Millionaire” e “Bring The Light” são lufadas de ar fresco no som antigo da banda. Pode “começar” lentamente mas é um álbum que cresce com o tempo e que traz de volta os Oasis ao mesmo tempo que dá um passo em frente. Poderá ser um novo começo para Liam e companhia e quem sabe se a saída de Noel não dará lugar a novos feitos. O primeiro lançamento é bem positivo.
“Different Times” é tudo menos diferente daquilo que temos ouvido no panorama Indie mas os Five O’Clock conseguem realmente construir um par de temas realmente bons e que fazem deste dico um trabalho a ter em conta. “Diplomat” é um aspirante a single cheio de estilo com o seu riff de guitarra bem característico e “Postcard” é uma balada bem competente. É isto o que de melhor a banda nos conseguiu oferecer neste novo disco mas, por exemplo, quem for fã de Indie mais Pop encontrará aqui mais razões de interesse. A grande maioria das canções possui acessibilidade Pop e isso pode evitar que o álbum passe mais despercebido.